Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Raio X do UFC 100

por Fernando Kallás

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Neste sábado o UFC chega a 100ª edição, consolidado com o principal evento de artes marcias do planeta e grande responsável pela profissionalização e expansão do MMA no mundo todo.

Para celebrar a ocasião, a organização do UFC reuniu um dos melhores cards da história do evento, incluindo duas disputas de cinturão e, como não podia ser diferente, dois brasileiros no card principal.

Aproveitando a edição centenária, a Tatame convidou o comentarista de MMA do Sportv e Premiere Combate, Fernando Kallás, para fazer uma análise das principais lutas da noite. E o colaborador da Tatame foi além e convocou alguns dos principais especialistas em MMA do país para também opinarem sobre os combates para que o leitor da Tatame tenha acesso à vários pontos de vista e obtenha a mais ampla informação sobre as lutas do mega evento desse sábado.

Brock Lesnar x Frank Mir

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A luta principal da noite, valendo a unificação do cinturão dos pesos pesados do UFC, será a revanche de uma luta que Brock Lesnar dominava até ser pêgo numa bela chave de joelho que deu a vitória à Frank Mir. Era apenas a segunda luta da carreira de Lesnar no MMA, enquanto Frank Mir vinha aos trancos e barrancos, desacreditado, com duas vitórias e duas derrotas nas quatro lutas que tinha feito desde o grave acidente de moto que tirou-o por quase dois anos do octagon.

Desde então, ambos lutadores pareceram evoluir bastante suas técnicas. Contra Minotauro, o faixa preta de jiu-jitsu Frank Mir mostrou um muay thai afiado, combinando bem chutes e socos com precisão e velocidade. Já Brock Lesnar conseguiu duas vitórias mais do que convincentes contra Heath Herring e contra a lenda viva do octagon Randy Couture, aliando a força e preparo físico com um bom boxe e o excelente wrestling que lhe rendeu o título americano de luta olímpica de 2000.

O que esperar de Frank Mir

Apesar de ter apresentado uma grande melhora na trocação contra Minotauro, Frank Mir vai enfrentar um lutador muito mais forte, ágil e explosivo em Brock Lesnar que dificilmente deixará fluir o muay thai mais refinado de Mir. Há também o fator psicológico e a irregularidade, que sempre assombraram a carreira do faixa preta de Ricardo Pires. Mir não se sente confortável quando em desvantagem, pressionado e obrigado a caminhar para trás. É um lutador que sempre precisou de uma injeção de confiança no começo da luta para deslanchar e soltar seu jogo em pé, coisa que provavelmente não irá acontecer contra um lutador de maior envergadura, velocidade e força como Brock Lesnar. Portanto se espera que Mir tente tirar vantagem do que ele tem de mais forte, o jogo de solo. Tentando escapar da pesadíssima mão de Lesnar, Mir deve buscar o clinche e tentar levar a luta para o chão onde, mesmo por baixo, a técnica mais apurada pode ser novamente o coringa na manga do faixa preta.

O que esperar de Brock Lesnar

Se engana quem vê Brock Lesnar apenas como uma montanha de músculos e um ex-ator de telecatch. Antes do pro wrestling, o gigante da neve de Minnessota foi fenônemo da luta olímpica americana, chegando a duas finais consecutivas do campeonato americano e vencendo uma delas. Dono de não só uma força sobrehumana mas também de um preparo físico fantástico, Lesnar parece determinado a querer provar a cada combate que ele merece estar entre os melhores peso pesados do mundo. E treina muito para isso, vivendo isolado do mundo numa fazenda no norte dos EUA, orientado por alguns dos melhores técnicos do mundo num centro de treinamento que ele construiu com a fortuna que ganhou como estrela do telecatch.

Com uma envergadura que chega a quase 2,10 metros e dono de uma mão que pesa, sozinha, quase 5 quilos, Lesnar mostrou uma evolução enorme na trocação contra Heath Herring e Randy Couture. Contra o primeiro, dominou os três assaltos em ritmo alucinante, não dando chance alguma ao veterano do Pride e UFC. Já contra Couture, um mestre do clinche e do domínio de octagon, Lesnar parecia um veterano, controlando muito bem a distância, o jogo nas grades e usando inclusive clinches de muay thai e joelhadas contra o campeão.

Se o gigante manter a luta em pé e minar Frank Mir, mantendo a distância e machucando o adversário, a preparação e resitencia física e mental de Lesnar podem falar mais alto, já que é uma luta por título, de cinco assaltos. E também porque sempre foi um dos pontos fracos de Mir. Já no solo, Lesnar tem que evitar as finalizações da perigosa guarda de Mir e também tentar cansar o oponente, usando bem o ground and pound.

Conclusão

Em pé ou no solo, a vantagem parece ser de Brock Lesnar. Atleta aplicado, muito exigente e perfeccionista, Lesnar não deve cometer o erro da primeira luta e se deixar pegar numa finalização. Treinando em tempo integral com o bi-campeão mundial de Jiu-Jitsu, Rodrigo Comprido, Lesnar evoluiu muito as defesas de finalizações. O que, aliado à sua excelente base de wrestling, força e diferença de peso, garantiria o domínio das posições de solo. Espere Brock Lesnar caminhando para frente o tempo todo e tomando o controle da luta desde o princípio. Frank Mir precisa não só estar na melhor forma da carreira como também com a mente preparada para passar por maus bocados e ter a paciência de aguentar o rojão e esperar a hora certa de tentar uma finalização num erro do gigante americano.

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A opinião de Paulo Borracha, comentarista e árbitro de MMA.

Será uma luta em que os dois já se conhecem e houve uma evoluçao das duas partes, mas Brock Lesnar vem num ritmo melhor. Apesar de Mir ser mais técnico, acho que Lesnar vem mais bem preparado para esta luta. Na primeira ele não acreditou no Mir e em sua qualidade técnica. Mas Lesnar mostrou, depois da sua derrota, que amadureceu. Acredito que será uma luta diferente, que Brock seberá usar sua envergadura e não deixará Mir desenvolver a luta no chão, travando de maneira mais consciente a movimentação de Mir no chão, já que é praticamente certo que ele fique por cima caso a luta vá para o solo.


Georges St-Pierre x Thiago Alves

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Apesar de não ser o último combate da noite, a disputa do cinturão entre GSP e Thiago Pitbull é, na mente e coração de todo grande fã de MMA, a grande atração da noite. Em uma das lutas mais esperadas e bem casadas pelo UFC nos últimos tempos, se espera uma batalha épica onde não deve faltar técnica e estratégia. Estarão frente a frente não só os dois melhores meio-médios do mundo como também duas das principais equipes de MMA do planeta. Do lado do brasileiro, a American Top Team, equipe que conta com mais de 10 atletas no UFC e celeiro de feras como Gesias Cavalcante, Mike Thomas Brown, Jorge Santiago, Antônio Pezão, Hector Lombard e tantos outros. Do lado do canadense, a equipe de Greg Jackson, quartel general de outros 10 lutadores do UFC, entre eles Rashad Evans, Shane Carwin, Joe Stevenson, Nate Marquardt e Karo Parisian.

O que esperar de GSP

Apontado por muitos como o protótipo do atleta de MMA moderno, GSP é um lutador completo. Vindo do karatê, a trocação foi durante muito tempo a base do jogo do canadense. Mas após ser nocauteado por Matt Serra, GSP passou a não se arriscar tanto em pé, baseando sua estratégia em utilizar o wrestling afiado pelos treinos com a seleção canadense de luta olímpica para levar o oponente ao chão e alí mantê-lo, castigando-o com o ground and pound. Dono de um preparo físico fantástico, ele consegue manter um ritmo constante na luta, dando pouquíssimas chances ao adversário de se levantar ou tomar o controle da luta. Nem o wrestling the altíssimo nível de Josh Koscheck e Matt Hughes foram capazes de parar as quedas e tampouco o o jiu-jitsu apurado de BJ Penn foi suficiente para neutralizar a força e movimentação do canadense no chão. Então não há porque esperar de GSP um jogo diferente contra um fortíssimo lutador de muay thai como Thiago. Ele deve tentar evitar ao máximo a trocação com o brasileiro, levando a luta para baixo e controlando o ritmo do combate.

O que esperar de Thiago Pitbull

Invicto desde outubro de 2006, Thiago Alves fez sua estréia no UFC no dia em que completava 22 anos. O desafio de amadurecer e evoluir como atleta no maior evento de MMA do planeta não foi tarefa fácil mas hoje, aos 25 anos e com 11 lutas no UFC, Thiago se transformou num dos grandes fenômenos do MMA brasileiro. Dono de uma brutal força física para o peso meio médio, Thiago é tem um dos melhores chutes do UFC e um poder nocauteador impressionante. Venceu 5 das últimas 6 lutas com nocautes arrasadores, um deles contra a lenda viva Matt Hughes. E se as feras do wrestling Matt Hughes e Josh Koscheck não conseguiram evitar as quedas de GSP, eles tampouco conseguiram levar Thiago para o chão. Com a evolução nas defesas de queda e no preparo físico, a fórmula para vencer GSP segundo ele mesmo é simples: manter a luta em pé, forçar a trocação e partir para o nocaute.

Conclusão

Em pé, quem leva a vantagem é o brasileiro. Apesar de GSP ter uma trocação afiada, ele mostrou recentemente contra Matt Serra que o seu ponto fraco pode estar no queixo. Sabendo da vantagem que leva no clinche e no chão, GSP vai tentar a todo custo manter a luta no chão, tendo o controle por cima. O cearense terá que mostrar mostrar paciência para evitar as quedas do canadense e manter a luta em pé, tirando a vantagem de que as tentativas frustradas de queda são uns dos fatores que mais cansam um lutador de MMA. Se Thiago Alves conseguir manter a luta em pé, vai frustar o canadense que, em algum momento, terá que aceitar a trocação. Mas se GSP conseguir manter o brasileiro no solo, como fez Jon Fitch, Thiago terá uma longa noite pela frente.

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A opinião de Bebeo Duarte, treinador de MMA

O GSP, assim como todos estao achando, acredita que o Thiago Pitbull vai se cansar após 3 rounds (tempo que ele estah acostumado a lutar). Mas eu acho que o brasileiro vai aprontar uma surpresa! Vai vir pra cima como é habitual e, depois do 3º round, se já não tiver vencido por nocaute, vai continuar com o mesmo gás. Acredito que ele esteja se preparando mais do que o normal para essa luta por entender que é a luta da vida dele! Por nocaute ou por pontos, vai dar Pitbull!


Jon Fitch x Paulo Thiago

Depois de estrear com um nocaute contra Josh Koscheck, Paulo Thiago vai enfrentar outro Top 5 do peso meio médio em Jon Fitch. Especialista em Jiu-Jitsu, o oficial do BOPE brasiliense mostrou contra Josh Koscheck um jogo de boxe afiado, aplicando um contra-golpe que mandou o wrestler americano para a lona no primeiro assalto. Ele também mostrou uma boa assimilação de golpes, o que ele deve precisar contra Jon Fitch, um lutador forte, rápido e muito disciplinado. Conhecido pelo estilo pouco plástico e emocionante mas extremamente eficiente, o ex-meio pesado Jon Fitch tem apenas uma derrota nas últimas 17 lutas. Desde que perdeu para Wilson Gouveia há quase 7 anos atrás, o único capaz de parar o americano foi o atual campeão da categoria, GSP. No currículo, vitórias marcantes contra atletas do calibre de Roan Jucão, Diego Sanchez, Chris Wilson e o próprio Thiago “Pittbull” Alves. O jogo justo e com poucas brechas, baseado na grande envergadura, sólida base de wrestler e bom jogo de chão tornam Jon Fitch em um pesadelo para a maioria do adversários. Se a luta se desenvolver em pé, Paulo Thiago tem que tentar encurtar a distância e, no chão, trabalhar muito bem a guarda e tentar neutralizar o ground and pound fortíssimo do americano.

O que esperar de Jon Fitch

Jon Fitch não é um finalizador. Das suas últimas 10 vitórias, 7 foram para a decisão dos jurados. E também é um lutador duríssimo de ser finalizado. Sua única derrota como meio-médio, para GSP, foi uma batalha de cinco rounds onde ele tomou um castigo histórico do canadense mas aguentou até o fim. Contra Paulo Thiago, Jon Fitch deve fazer o “feijão com arroz” que não faz brilhar os olhos do público, mas vem provando ser extremamente eficiente: cadenciar a luta, controlar a distância e usar muito bem os clinches, quedas e o ground and pound para minar o adversário.

O que esperar de Paulo Thiago

Em pé, o brasileiro deve tentar encurtar a distância e aplicar contra-golpes duros como o que ele aplicou na sua estréia no UFC. Mas é importante que ele entre no octagon no melhor da forma física e preparado para estar grande parte da luta com as costas no chão. Por isso é importantantíssimo que ele mantenha uma guarda ativa e agressiva, com movimentação constante, neutralizando assim o ground and pound de Fitch e buscando a finalização.

Conclusão

Apesar de Josh Koscheck ser um excelente wrestler com uma mão muito pesada, ele não tem a disciplina, frieza, calma e experiência de Jon Fitch. O americano sabe da importância dessa luta para que ele volte ao patamar de aspirante ao título e não vai subestimar Paulo Thiago como fez seu companheiro de equipe. Espere Jon Fitch levando a luta para baixo logo no princípio e trabalhando por cima o ataque ao brasileiro, que dependerá de uma falha no jogo do americano para conseguir, por baixo, uma finalização.

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A opinião de Carlão Barreto, comentarista e árbitro de MMA

Uma luta muito boa, será a prova real para o Paulo Thiago, pois para muitos a vitória sobre o Kosheck foi sorte, então contra o duríssimo Jon Ficht terá a oportunidade de mostrar ao mundo que é um lutador forte. Vejo o brasileiro como azarão, ja que o currículo do Fitch é de impressionar, realmente um osso duro de roer. Não curto muito o estilo do atleta norte americano, mas tenho que admitir que ele é um lutador moderno, muito eficiente. Nosso Paulo Thiago tem menos experiência, fez sua carreira no Jungle Fight, evento que o projetou, conseguiu um sólido tko em sua estréia no UFC, mas como já disse, precisa consolidar seu nome no evento e essa luta é crucial para isso. Como brasileiro, torço para que nossos compatriotas sempre se destaquem no cenário internacional, acho que o Paulo tem condições de vencer, mas será uma luta difícil para ele, onde terá que usar seu bom Jiu-jitsu e sua mão pesada, de forma inteligente para superar o favorito Fitch.


Dan Henderson x Michael Bisping

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Na disputa entre os dois últimos treinadores do reality show do UFC, o The Ultimate Fighter, um encontro de gerações. De um lado o atleta olímpico de greco-romana, ex-campeão do Pride e lenda viva do MMA, Dan Henderson. Do outro, um jovem campeão do The Ultimate Fighter e grande ídolo do esporte na Inglaterra, mercado onde o MMA está em amplo crescimento. Apesar de serem adversários no reality show, a temporada não rendeu grandes polêmicas ou rivalidades como em temporadas anteriores com Matt Serra e Matt Hughes, por exemplo. Mas ainda assim o combate é interessante por ajudar a definir o cenário dos pesos médios do UFC. O vencedor poderia ser o próximo adversário de Anderson Silva.

O que esperar de Dan Henderson

Apesar de ter vindo da luta olímpica e formado uma das escolas mais bem sucedidas do MMA moderno, ao lado dos amigos Randy Couture e Matt Lindland, Dan Henderson não se mantém totalmente fiel ao jogo de domínio de território, quedas e ground and pound. Ele declaradamente gosta da trocação, tem um queixo duríssimo e, com uma bomba na mão direita, já nocauteou inclusive Wanderley Silva. Mas recentemente, depois de duas derrotas seguidas contra Rampage Jackson e Anderson Silva, Hendo entrou com um jogo bastante conservador contra Toquinho, típico de quem precisa de uma vitória para retomar o rumo. Contra Rich Franklin, lutador com um estilo muito semelhante ao de Bisping, outra atuação pouco convincente, vencendo uma decisão dividida (que eu daria para Franklin). A idade parece começar a dar as caras na velocidade e explosão dos golpes, mas não no ímpeto de trocar. Mesmo sabendo da vantagem que levaria no solo e no clinche, já que tem um wrestling muito superior ao do britânico, vejo Dan Henderson entrando nesta luta como contra Franklin, confiando no queixo e na mão pesada.

O que esperar de Michael Bisping

Lutador esforçado e raçudo, Bisping compensa a técnica ainda em evolução com o enorme coração que mostra dentro do octagon. Um guerreiro que teve que teve que trabalhar até num matadouro para pagar as contas, sua personalidade forte reflete no estilo de lutar, ganhando a simpatia imediata do público britânico e elevando-o ao status de grande ídolo do MMA na Inglaterra. Depois de vencer a terceira edição do The Ultimate Fighter como meio-pesado e mostrar certa irregularidade contra Matt Hamill e Rashad Evans, Bisping parece ter encontrado o peso ideal entre os médios. Vindo de três vitórias seguidas contra lutadores medianos, chegou a hora do britânico encarar o primeiro grande desafio entre os médios. Trocador nato, vindo do kickboxing, Bisping tem um estilo mais agressivo e dinâmico do que o de Dan Handerson. Luta boa para ele é luta em pé e ele vai tentar de tudo pra mantê-la assim.

Conclusão

Ainda que Dan Henderson tenha a vantagem no jogo de queda e solo, não vejo o americano, nessa altura da carreira, entrando contra um lutador como Michael Bisping, no UFC 100, para garantir resultado. Então espero uma batalha em pé, pelo menos no começo da luta. Com Henderson fazendo seu jogo de boxe mais plantado enquanto Bisping busca maior movimentação. Apesar do americano ter o poder nocauteador que pode definir a luta a qualquer momento, vejo o britânico conseguindo manter a distância e usando a maior velocidade e variação de golpes para controlar o ritmo e vencer o combate na decisão dos jurados.

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A opinião de Osvaldo Paquetá, mestre de Jiu-Jitsu e ex-lutador de vale-tudo.

Na minha opinião o Dan Henderson já está na curva descendente da carreira, não é mais aquele lutador explosivo, rápido e com o wrestling que impressionava durante anos e anos no Japão. Não tenho gostado das últimas lutas dele, acho que tem faltado um pouco daquela vontade de alcançar um objetivo maior, algo que Michael Bisping mostra ter. Enquanto Henderson já conquistou tudo na carreira, Bisping quer conquistar e mostra aquela vontade de um lutador jovem, esforçado e ambicioso. É a luta mais importante da carreira de Michael Bisping até hoje. Por isso acredito que o inglês vai entrar mais bem preparado e motivado para esta luta do que o americano, vencendo o combate.


Yoshihiro Akiyama x Alan Belcher

O judoca japonês/coreano Yoshihiro Akiyama faz sua estréia no UFC sob muita espectativa. Nova aposta da organização para tentar ganhar o público no Oriente, Akiyama é um lutador extremamente agressivo e valente, que tem um chão de alto nível mas também um jogo de trocação acima da média, de mão pesada e queixo duríssimo. Mas terá pela frente um jovem e talentoso lutador em Alan Belcher, dono de um excelente muay thai e bom jogo no chão.

O que esperar de Akiyama

Apesar de ser judoca, Akyiama ganhou fama pela forma passional com que luta, não fugindo do combate franco. Um guerreiro, teve que lutar a vida toda contra o preconceito que sofria por ser de família coreana, mas nascido no Japão. Travou uma batalha contra Melvin Manhoef onde provou que pode aguentar a pressão para finalizar o adversário. Acusado de ter usado vasilina no corpo na luta contra Sakuraba, ele passou a lutar de kimono para provar que não precisava de artimanhas para vencer os combates. Vencendo ou ganhando, nenhuma luta sua chegou à decisão dos jurados. Com isso, vejo Akyiama mantendo seu estilo de luta e tomando a iniciativa do combate, trocando de igual para igual com Belcher e aceitando a luta onde ela se desenrole, sem forçar a ida para o chão.

O que esperar de Alan Belcher

Atleta jovem e talentoso, Belcher tem um muay thai excelente, com uma boa movimentação, envergadura e velocidade. Mas a irregularidade sempre foi uma pedra no seu sapato. Depois de um belo nocaute contra Jorge Santiago, ele alternou altos e baixos, confiando demais no seu talento e abrindo brechas aos adversários com um jogo um pouco irreverente e irresponsável, tentando golpes de efeito e lutando com a guarda baixa. Mas a recente vitória contra Denis Kang parece ter dado uma injeção de ânimo no americano, que precisa de mais uma vitória para se consolidar no peso médio. Com clara desvantagem no jogo de solo, ele deve manter a concentração e a luta em pé, tirando vantagem da maior evergadura e mantendo a marreta de Akiyama longe do seu queixo.

Conclusão

Enquanto Akiyama conseguiu uma vitória convincente contra Denis Kang, Alan Belcher foi completamente dominado em pé e no chão até conseguir a guilhotina numa bobeira de Kang. E, apesar de possuir uma técnica de trocação mais refinada, Belcher vai ter pela frente um lutador muito mais duro e completo do que Kang. E com a mão muito mais pesada. A não ser que sejamos apresentados a uma versão mais madura e responsável de Alan Belcher, espero Akyiama tomando o controle da luta aos poucos, pegando os floreios de Belcher no contra-ataque, minando o americano e finalizando a luta antes do gongo final

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A opinião de Marcello Tetel, empresário e organizador de eventos.


Luta interessante de se assistir. Nos currículos dos dois, vitórias contra a contratação badalada do UFC Denis Kang. Aquele que muitos apostavam como ameaça real a Anderson Silva. Cada um deles venceu seu respectivo combate contra Kang de forma abreviada. Belcher por finalização e Akiyma por nocaute. Alias Akiyama ou perde ou gannha sem deixar que os jurados decidam seu combate. Vamos ver como ele se comporta no UFC. Será que vai repetir as apresentações do Japão? E Belcher? Ele precisa de uma sequencia de vitórias para sair do limbo e entrar no rol dos postulantes a uma luta com Anderson. Akiyama quer manter seu cartel e provar ao UFC que foi uma excelente aquisição. Luta muito boa e equlibrada, mas acho que Belcher tem vantagens. O Octagon já é sua casa faz tempo, Akiyama vai ter que tirar o kimono pra lutar. Acabou o ringue. Agora ele luta na jaula, e outras adaptações menores que podem influenciar o japonês. Acredito que Belcher leve na decisão dos jurados mas o que torço mesmo é pra que caia um deles nocauteado ou finalizado em uma luta emocionante.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

"What is the problem with Michael Jackson?!"

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Michael Jackson morreu e enquanto todos jornais, TVs, sites e revistas estão lembrando do quão talentoso ele era, eu prefiro pedir um momento de reflexão relembrando um grande filme dos anos 90 que usou o cantor para questionar o rumo da sociedade americana.

Em Três Reis, filme extremamente crítico sobre a Guerra do Golfo dirigido por David O. Russell e estrelado por George Clooney, "Marky" Mark Wahlberg e Spike Jonze, há uma cena em que o personagem de Wahlberg, o soldado americano Troy Barlow, é torturado por um soldado iraquiano que, durante a tortura, usa repetidamente a surreal questão existencial com uma tranquilidade angustiante:

"Qual é o problema com Michael Jackson?"

A mesma estrela que, ao gravar "We Are The World" em 1985, foi vista como um símbolo de solidariedade, em 1991 se transformaria na imagem do que há de errado com os EUA. Que ironia.

"O seu país o fez destruir o próprio rosto" diz o soldado iraquiano (representado pelo franco-marroquino Said Taghmaoui) para o prisioneiro. "Michael Jackson é o rei do pop de um país doente. Um homem negro muda a cor da sua pele e alisa o cabelo e você quer saber porque? O seu país doente fez um homem odiar a si mesmo por ser negro assim como está fazendo com os árabes e crianças que vocês bombardeiam todos os dias." completa.

Dois mundos totalmente diferentes se encontram numa pequena sala, em meio à uma guerra, através de um dos maiores ícones da dominância global da cultura pop americana, com alusões à racismo contra negros e árabes e aos esteriótipos dos padrões de beleza.



Acho válida a lembrança não só pela morte do cantor, mas também por uma série de fatos que vêm acontecendo nos EUA e que pouco são noticiados pela grande mídia.

Desde o surgimento de Barack Obama como forte candidato, uma série de ataques de extremistas de direita dos EUA vêm despertando temores de uma nova onda de violência, inflamada pela crise econômica e pela eleição do primeiro presidente negro do país.

Nos últimos meses teve início uma série de tiroteios contra alvos que vão desde clínicas de abortos, uma igreja liberal e policiais, ataques estes insuflados por uma poderosa mistura de ódio racial e teorias da conspiração vindas, principalmente, do canal Fox News.

Em dezembro, no Maine, a polícia encontrou em uma casa material nazista, materiais e instruções para construir uma bomba e quatro barris de material radioativo. Em janeiro, um dia após a posse de Obama, um homem branco saiu disparando na rua contra negros, matando dois. Em abril, um homem matou dois policiais na Flórida por estar gravemente perturbado com a eleição de Obama. Na Carolina do Norte, um ex-fuzileiro foi preso com um plano para matar Obama e material de propaganda sobre supremacia branca. Há duas semanas, um médico de abortos foi alvejado em uma igreja por um ativista antiaborto. No Tennessee, um caminhoneiro desempregado matou duas pessoas em uma igreja porque a tal igreja "era muito liberal e amiga dos gays". O caso mais recente foi a de um senhor que atirou contra um segurança negro do Museu do Holocausto, em Washington, e depois tentou se suicidar. Ele escreveu uma nota dizendo que "o holocausto foi uma mentira e que Obama foi criado por judeus".

Já a Fox News acusa constantemente o Obama de ser socialista, comunista e uma ameaça à democracia americana. As teorias da conspiração vão desde que Obama estaria construindo "campos de concentração" para seguidores republicanos à de que o presidente estaria preparando uma reestruturação da leis de armas. O tema das armas é tão sério que, depois que a emissora divulgou essa teoria, houve uma escassez de munição nas lojas de todo o país pq os defensores das armas passaram a estocar balas. O problema chegou a um ponto tão grave que a própria polícia teve que racionar seu suprimento de munição.

E o que Michael Jackson tem a ver com tudo isso? Pergunte ao soldado iraquiano...

Terça-feira, 7 de Abril de 2009

O homem mais temido do mundo!

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Ele é gordinho, tímido, mede pouco mais de 1,80m e seu melhor amigo é um padre.

O personagem da capa da revista Tatame deste mês não tem o perfil que se imagina para o homem mais temido do mundo. Mas o russo Fedor Emelianenko é, pelo menos nos ringues de MMA!

Esta é a conclusão que se chega após analisar os nove anos de história do lutador, que nunca foi derrotado (de verdade) nas 31 lutas de MMA que fez.

Com a ajuda de nosso parceiro, o jornalista e comentarista de MMA Fernando Kallás, conseguimos uma entrevista exclusiva com o último invencível do MMA que, com a mesma humildade com que trata seus oponentes e fãs, aceitou nosso convite de encarar o paredão da TATAME, falando abertamente de sua carreira e sua história.

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JÁ NAS BANCAS!!!!

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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Fernando na terra de Felipe

Quase dois anos depois de escrito, encontrei um artigo que uma agência de notícias árabe fez comigo no começo de 2007. É interessante reler essas histórias e relembrar de alguns momentos que marcaram a sua vida...

Fernando na terra de Felipe

Débora Rubin - ANSA - [13/06/2007]

O jornalista carioca Fernando Kallás, de 28 anos, queria passar uma temporada fora do Brasil, estudando. Mas não queria os destinos óbvios dos brasileiros, como Estados Unidos e Inglaterra. Escolheu a terra de seu avô Felipe: o Líbano. Nos dois anos que passou lá, conheceu a fundo o país, os libaneses e a si mesmo.


São Paulo – Fernando tinha 25 anos e um parco vocabulário em árabe quando chegou em Beirute, em 2004. Foi estudar ciências políticas na Universidade de Notre Dame. Sua escolha pelo Líbano tinha um quê de profissional e algo mais de pessoal. Como jornalista, achava interessante ter a experiência de viver no Oriente Médio, palco de tantas notícias. Por outro lado, queria conhecer o país mais lindo do mundo, segundo as memórias de seu avô, Felipe Elias Kallás, que chegou ao Brasil quando tinha 20 anos, vindo de uma cidadezinha do Vale do Bekah. Aqui, ele se casou com uma prima, também libanesa, que tinha vindo quando bebê.

“Meu avô era um típico imigrante libanês, desses que ficam idealizando a terra que deixou para trás”, diz Fernando. Com Felipe, ele aprendeu a cantar algumas canções em árabe e a falar uma ou outra palavra. Foi para o Líbano em busca da terra do avô. Em seu blog, algumas semanas após chegar em Beirute, fez a seguinte constatação: “Vim para o Líbano para estudar, fazer meu mestrado, me especializar em religião, história e política do Oriente Médio. Mas por trás disso tudo sempre houve um algo mais...nunca soube explicar até hoje o que era esse sentimento que herdei do meu avô. Esse misto de curiosidade e admiração por sua pátria, por sua terra, pela sua cultura, por aquela bandeira vermelha e branca, com um cedro no meio”.

As primeiras impressões da cidade foram a de que o Líbano tinha algo de Brasil – pessoas extremamente amáveis e um calor de matar. Caos no trânsito, transporte público ineficiente, poluição. Encontrou uma parte de sua família que ficou por lá. Subiu o Monte Líbano e entendeu porque é tão famoso. Aos poucos, foi vendo que o país de Felipe era muito mais complexo. Lindo sim, mas cheio de problemas como qualquer outro de terceiro mundo. “Isso que é legal de ir como jornalista e de ter estudado ciências políticas lá. Você vê o país com outros olhos que não os de turista.”

Descobriu também uma Beirute cosmopolita, efervescente, cheia de opções culturais e uma noite vibrante. “O novo cinema libanês, por exemplo, é sensacional. Pena que ninguém traz essas coisas para cá. Falta esse intercâmbio cultural entre Líbano e Brasil”, diz. “E vida noturna de Beirute também é muito boa, a cena underground, a música eletrônica, tem vários DJs interessantes.”

Durante os dois anos em que viveu lá, estudou a política do país não só nas carteiras da Notre Dame como no dia a dia, no desenrolar dos acontecimentos. Escutou a bomba que matou o ex-premiê Rafik Hariri em fevereiro de 2005, pois trabalhava perto de onde ocorreu a explosão. “Você não escuta apenas. Você sente dentro de você”, explica.

Fez fotos do funeral do empresário-político. Estudou o Hezbollah na faculdade e conheceu membros do grupo. Chegou a ouvir os discursos públicos do (Hassan) Nashallah, líder do Hezbollah. Foi aos poucos entendendo o país, sua política, sua cultura e sua gente.

Fernando trabalhou seis meses na ONU, onde fez grandes amigos estrangeiros como ele. “Tinhamos até um time de futebol que se chamava ‘os diplomatas’ porque era um monte de gente da ONU e de várias embaixadas. Tinha suíço, marroquino, tunisiano e só eu de brasileiro”, recorda. Na ONU, tinha aulas gratuitas de árabe – que ele confessa que até hoje não aprendeu a falar fluentemente. Trabalhou também como correspondente da BBC.

Além dos amigos libaneses e estrangeiros, fez três grandes amigos brasileiros que, como ele, têm origem libanesa. Durante o conflito contra Israel, em julho do ano passado, Fernando chegou a ajudar um deles. Estava de férias no Brasil e resolveu ligar para o amigo só para saber se ele estava bem. O colega atendeu o celular de dentro de um abrigo anti-aéreo, na cidade de Blat, sul do Líbano, onde estava com a família. Eles não conseguiam falar com o consulado brasileiro e não viam como escapar dali.

Fernando o colocou em contato com vários amigos jornalistas no Brasil. Assim, o amigo saiu na capa de vários jornais, chamando a atenção do Ministério de Relação Exteriores. “O governo tinha tirado um grupo de brasileiros, mas várias pessoas ainda estavam na mesma situação do meu amigo, sem conseguir contato com embaixada ou qualquer outro tipo de ajuda”. A história teve final feliz.

Também em Beirute Fernando conheceu sua namorada, a espanhola Amal, filha de sírio, que morou no Iraque quando pequena. “Ela sim fala árabe fluentemente”, diz Fernando. Após dois anos em Beirute, Fernando foi para a Espanha com Amal, onde passou mais um ano. Em Beirute, deixou inacabada sua tese de mestrado. O tema era a representação política da colônia libanesa no Brasil. Na Espanha, seu tema mudou para os imigrantes latino-americanos em Madri.

Hoje, de volta ao Brasil, trabalhando em uma rede de TV no interior do Rio de Janeiro, lembra da empreitada pelo Líbano com uma ponta de orgulho e certa saudade. E faz planos. “Se eu pudesse morar lá de novo, voltaria. Se eu tivesse um bom trabalho por lá. Ficou a sensação de que tenho um compromisso com aquele país. Como profissional, acho que falta uma cobertura jornalística mais adequada sobre o Líbano”, acredita. “E tenho um compromisso também como membro da colônia libanesa do Brasil”.

E, importante lembrar, um compromisso com avô Felipe, o ídolo de sua infância, “aquele super-herói inalcançável”, como ele mesmo descreve, que nunca chegou a rever sua terra natal.

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

O fenômeno islamista deve ser entendido antes de criticado

Primeiro foi na guerra entre Israel e Hezbollah. Agora foi na guerra em Gaza. Durante os dois períodos, notei algumas vezes um fenômeno que me chamou a atenção.

Nos muitos protestos e nas declarações de indignação pela desgraça do povo libanês e palestino, eu via uma grande crítica à postura belicista e beligerante de Israel e uma solidariedade aos povos oprimidos, mas quase sempre sob um ponto de vista apenas humanitário. Muitas vezes notei, tanto em políticos e pessoas públicas quanto em amigos ou conhecidos, uma certa resistência em apoiar a causa libanesa e palestina que levou ao conflito, no caso os movimentos islamistas Hezbollah e Hamas. Pelo contrário. Vi várias vezes aquele discurso de que se deve dar apoio ao povo mas acabar com essas instituições diabólicas. De que a culpa está no radicalismo religioso. Que a "religião é o ópio do povo".

O que eu acho o mais curioso disso tudo é como esse pensamento simplista acaba colocando os críticos no mesmo patamar dos criticados. Antes de chegar ao "religião é o ópio do povo", Karl Marx escreveu algumas linhas mais que podem clarificar nosso raciocínio.

"(...) A religião é de fato a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que ou não se encontrou ainda ou voltou a se perder. Mas o Homem não é um ser abstrato, acocorado fora do mundo. O homem é o mundo do homem, o Estado, a sociedade. Este Estado e esta sociedade produzem a religião, uma consciência invertida do mundo, porque eles são um mundo invertido. A religião é a teoria geral deste mundo, o seu resumo enciclopédico, a sua lógica em forma popular, o seu point d'honneur espiritualista, o seu entusiasmo, a sua sanção moral, o seu complemento solene, a sua base geral de consolação e de justificação. É a realização fantástica da essência humana, porque a essência humana não possui verdadeira realidade. Por conseguinte, a luta contra a religião é, indiretamente, a luta contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião. A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo."

Ao encarar o fenômeno islamista na região simplesmente como ruim ou malvado, os críticos ocidentais acabam, meio que sem querer, fazendo exatamente o mesmo que os criticados: analisando a situação apenas nos termos religiosos.

Porque se analisassem ou até mesmo conhecessem a peça inteira de Marx, veriam que o fenômeno religioso na região é apenas uma resposta de um povo oprimido pelo colonialismo e imperialismo que trouxe à região miséria e pobreza.

Em vez de impor nossas idéias ou crenças sobre os outros, nós antes deveríamos tentar entender em que os outros acreditam e porquê. Enquanto continuarmos não querendo aprender, continuaremos a criticar e debater sentimentos religiosos em vez de realmente estar apoiando um povo que precisa de ajuda na luta por paz, independência e justiça social e econômica.

E isso por pura ignorância, porque não conhecer o Islã ou apenas conhecer a imagem trazida para o ocidente do que supostamente seria o Islã, algo diferente demais da gente para querer ser compreendido ou estudado. Eu sinceramente nunca vi críticas à Martin Luther King por usar o evangelho para mobilizar os negros oprimidos nos EUA. Ou à resistência católica irlandesa contra o imperialismo da coroa britânica. Ou ao clero que lutou contra os golpes e ditaduras patrocinados pelos EUA na América Latina.

É praticamente inevitável que a religião esteja presente nesses momentos de sofrimento. E que ela acabe sendo misturada com a luta, seja ela armada, intelectual ou política. E durante todo o curso da humanidade, as histórias de colonização e libertação são sempre histórias de terras conquistadas e liberadas pelo uso da força. Da Argélia ao Vietman, de Cuba à África do Sul, do Congo à Palestina: nenhum poder colonizador renunciou ao seu domínio apenas por negociações, diálogos e diplomacia.

Mas o problema é que, desde o 11 de setembro, qualquer manifestação "oriental" de luta contra o colonialismo e imperialismo é classificada de "terrorismo". Uma afirmação que não pode nem ser aberta a discussões e que se for contestada o contestador é visto como anti-cristo.

E num mundo onde querer aprender e entender é quase um crime, o diálogo fica cada vez mais difícil.

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Sábado tem UFC no SporTV

No próximo sábado eu volto aos microfones para a transmissão de mais um evento de artes marciais.

Será no SporTV onde vamos transmitir, ao vivo, a batalha entre o havaiano BJ Penn e o canadense Georges St.Pierre pelo cinturão dos meio-médios do Ultimate Fighting Championship, direto de Las Vegas.

Este será o primeiro de 3 eventos que o Canal Campeão vai transmitir ao vivo em 2009, parte do novo contrato de transmissão assinado entre o UFC e a Globosat. Além dos 3 shows ao vivo, o novo contrato ainda tem como novidade mais 2 eventos em reprise no Sportv e as transmissões do UFC Unleashed, UFC All Access e do Ultimate Fight Night, ao vivo, pelo Premiere Combate.

No próximo sábado, a transmissão começa 15 minutos mais cedo, com direito à um programa especial e ao vivo para esquentar os motores para um dos eventos mais esperados dos últimos tempos.

Além da luta entre BJ Penn e GSP, a penúltima luta da noite será um duelo entre dois brasileiros que estão próximos da disputa pelo cinturão dos meio-pesados. O carateca paraense Lyoto Machida encara o faixa preta de jiu-jitsu Thiago Silva, de São Paulo.

UFC 94: Sábado, meia-noite e meia, no SporTV. Não perca!

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

Software israelense manobra opiniões na internet

19/01/2009 - 12h06

DIÓGENES MUNIZ, editor de Informática da Folha Online

Nem só de caças F-16 e mísseis teleguiados são feitos os ataques israelenses em Gaza. Uma arma em específico se destacou pela eficiência apresentada desde a escalada do conflito --e continuará sendo usada, mesmo após o cessar-fogo. Ela age nos bastidores da internet, modificando resultados de enquetes on-line, entupindo caixas de e-mails de autoridades e ajudando a protestar contra notícias desfavoráveis à comunidade israelense.

O nome da ferramenta é Megaphone, um software desenvolvido pela companhia Collactive e distribuído pela organização Giyus ("mobilização" em hebraico, mas também sigla para "Give Israel Your United Support" ou "Dê a Israel seu apoio integrado", em tradução livre). O programa serve para mobilizar internautas pelo mundo dispostos a manobrar ("balancear", segundo os usuários) opiniões na rede.

Desenvolvido em 2006, durante a Guerra do Líbano, seu uso atingiu 36.700 "soldados virtuais" com o conflito em Gaza. A meta: 100 mil participantes.

Lobby 2.0

O internauta disposto a fazer parte do arrastão cibernético precisa baixar um programa no site Giyus.org, que se apresenta como uma "coalizão de organizações pró-Israel trabalhando juntas para ajudar a comunidade judaica a fazer suas opiniões serem ouvidas de maneira efetiva".

Instalada a plataforma, aparecem no computador alertas em tempo real sobre notícias, enquetes, artigos, vídeos ou blogs que estejam com visões "a favor ou contra" a comunidade. Lembram os avisos de novas mensagens do comunicador instantâneo MSN. O internauta é convidado, a partir daí, a "agir por Israel" --enchendo os alvos de críticas, elogios ou votos.

Com poucos cliques (e sem dominar o idioma da página em questão), é possível influenciar uma pesquisa no site do Yahoo! ou mandar uma notícia sobre mísseis palestinos para a ONU, entre outros. O programa oferece no próprio navegador um formulário completo de "ação" já preenchido, com endereços dos destinatários e conteúdo padrão a ser enviado: o internauta sequer precisa abrir sua conta de e-mail ou clicar em "enviar".

Redes sociais e sites colaborativos, como Facebook e YouTube, também estão na mira do software. Esse tipo de estratégia, que recebeu o apoio do Ministério das Relações Exteriores de Israel, já forçou o site da BBC a tirar uma enquete do ar.

Desde o início da invasão a Gaza, dezenas de comunidades e sites foram "pichados", invadidos ou derrubados, tanto por piratas virtuais palestinos quanto israelenses. O que se destaca neste caso, no entanto, é o modo de atuação do programa, que institucionaliza a manipulação de informação de forma coordenada e colaborativa.

Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

Se você (ou eu) fosse palestino

Traduzido por mim do original escrito pelo ex-político e articulista Yossi Sarid, publicado no jornal israelese Haaretz.

Essa semana eu conversei com meus alunos sobre a guerra contra Gaza, durante uma aula onde o tema era segurança nacional. Um dos estudantes, que já havia demonstrado outras vezes ter uma ideologia mais conservadora e de direita, me surpreendeu. Sem nenhum tipo de estímulo ou provocação da minha parte, ele abriu o coração e confessou: “Se eu fosse um jovem palestino” disse ele “Eu lutaria contra os judeus com todas minhas forças, usando inclusive técnicas de terrorismo. Qualquer um que diga o contrário é um mentiroso.”

A declaração dele me soou familiar – não foi a primeira vez que a ouvi. Há mais ou menos 10 anos atrás, o nosso então ministro da defesa, Ehud Barak, disse o mesmo. Quando perguntado pelo jornalista do Haaretz Gideon Levy o que o então candidato a primeiro ministro seria se ele tivesse nascido palestino, Barak respondeu com toda a franqueza: “Eu teria entrado para alguma organização terrorista.”

Essa resposta não é a minha; terrorismo praticado por indivíduos ou por organizações ou estados sempre mira exatamente nos civis que nada tem a ver com o sangue derramado. O terrorismo não só é cego – sugando a alma do santo e do pecador – como também faz expandir a tensão e a cabeça quente, com o sangue subindo à cabeça de um número cada vez maior de pessoas: nosso sangue na cabeça deles, o sangue deles na nossa cabeça. E quando o sangue de gente inocente começa a ser derramado, quem é que vai vingá-lo por inteiro, e quando?

Eu odeio todos os terroristas do mundo, seja qual for o motivo da sua reividicação. No entanto, eu apoio qualquer tipo de manifestação civil contra qualquer ocupação, e Israel é um desses ocupantes desprezíveis. Minha revolta é enorme, mas não faz extinguir em mim nenhuma gota de humanismo. Vai ver eu sou um velho excentrico demais para ser um terrorista.

Mas, e preste atenção nesse mas, se um garoto israelense comum tem uma resposta espontânea que é diferente da minha, e se a mesma resposta também veio de um general veterano do exército israelense, então todos nós temos que parar para pensar como se o nosso próprio filho estivesse do outro lado. Se a situação fosse ao revés, seu tão querido filho hoje seria um maldito terrorista, porque sendo terceira e quarta gerações de refugiados e oprimidos, esse seria o caminho para a libertação. Ele não teria nada a perder senão as algemas.

Enquanto isso nós, seus pais, estaríamos em casa lamentando o adeus do filho porque ele nunca mais voltaria para ver a terra onde nasceu. E nós também só voltaríamos a vê-lo na foto pendurada na parede, como um martir da ocupação. Nós tentaríamos detê-lo de dar continuidade em seus planos? Mesmo se quiséssemos, seríamos capazes? Não entenderíamos tais sentimentos que o levaram a medidas tão extremas? O que Ehud Barak entendeu naquele dia - que para nós é tão difícil de entender?

Jovens que não tem futuro irão abrir mão facilmente do futuro que eles não conseguem enxergar no horizonte. O passado como criança de rua e o presente como um imprestável desempregado acabam com qualquer possibilidade de esperança: a sua morte é melhor do que a sua vida, e a sua morte é ainda melhor que as nossas vidas, como opressores – é assim que eles se sentem. Desde o dia em que eles nascem até o dia da sua morte, eles vêem uma terra onde nunca viverão em liberdade.

Não há pessoas boas ou más; há apenas lideranças que agem de forma responsável ou insana. E agora nós estamos lutando contra um grande números daqueles que poderiam muito bem sermos nós, estivéssemos na situação deles por 41 anos e meio.

Doze regras infalíveis para redigir notícias sobre o Oriente Médio para os grandes meios de comunicação.

Tiradas da revista espanhola Sin Permiso:

1) No Oriente Médio são sempre os árabes que atacam primeiro, e é sempre Israel que se defende. Esta defesa se chama "represália".

2) Nem os árabes nem os palestinos nem os libaneses têm o direito de matar civis. Essa prática se chama "terrorismo".

3) Israel tem o direito de matar civis. Isso se chama "legítima defesa".

4) Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais moderado. Isso se chama "reação da comunidade internacional"

5) Nem os palestinos nem os libaneses têm o direito de capturar soldados israelenses dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso deve ser chamado de "seqüestro de pessoas indefesas".

6) Israel tem o direito de sequestrar, em qualquer hora e lugar, quantos palestinos e libaneses lhe der na telha. A cifra atual está em torno de 10 mil, dos quais 300 são crianças e 1.000, mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter os presos indefinidamente seqüestrados, ainda que eles sejam autoridades democraticamente eleitas pelos palestinos. A isso se chama "encarceramento de terroristas".

7) Quando se mencionar a palavra "Hezbollah", é obrigatório acrescentar na mesma frase: "apoiados e financiados pela Síria e pelo Irã".

8) Quando se mencionar "Israel", está terminantemente proibido acrescentar: "apoiados e financiados pelos Estados Unidos". Isso poderia dar a impressão de que o conflito é desigual e de que a existência de Israel não corre perigo.

9) Nas informações sobre Israel sempre é preciso evitar que apareçam as seguintes expressões: "territórios ocupados", "resoluções da ONU", "violações dos Direitos Humanos" e "Convenção de Genebra".

10) Os palestinos, assim como os libaneses, são sempre "covardes" que se escondem entre a população civil, "que não gosta deles". Se dormem na casa de suas famílias, isso tem um nome: "covardia". Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles dormem. A isso se chama "ação cirúrgica de alta precisão".

11) Os israelenses falam inglês, francês, espanhol ou português melhor que os árabes. Por isso merecem ser entrevistados com maior frequência, e ter mais oportunidades que os árabes para explicar ao grande público as referidas regras de redação (de 1 a 10). Isso se chama "neutralidade jornalística".

12) Todas as pessoas que não concordam com as supra-mencionadas regras são, e assim devem ser chamadas, "terroristas antissemitas de alta periculosidade" .

Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

Entrevistando Dana White


Ao lado dos proprietários do UFC, Lorenzo Fertitta (esquerda) e Dana White.

Vai ao ar amanhã, no Sportv, uma entrevista que fiz em Birmingham, Inglaterra, com a personalidade mais importante do mundo das lutas na atualidade, o americano Dana White, presidente do maior evento de lutas do planeta, o Ultimate Fighting Championship.

Eu já havia ido à vários outros eventos de lutas, mas foi meu primeiro UFC... Quem é fã de lutas sabe como ir à um UFC é difícil. A maioria deles acontece nos EUA, em Las Vegas, com entradas caríssimas e que esgotam rapidamente. A oportunidade de ir profissionalmente nunca havia surgido, já que o MMA pra mim sempre foi uma atividade paralela à minha vida de jornalista.

Mas dessa vez a oportunidade surgiu quase que por acaso, numa mescla de atitude e sorte.

Como tive esse período livre após a cobertura das Olimpíadas pela Globonews, fui à Europa para ajudar a levar o resto da mudança da minha mulher da Espanha para o Brasil.

Já havia tentado antes cobrir outros eventos do UFC, mas sem sucesso. Sempre o meu trabalho principal ficava no meio do caminho, fosse ele a Globo, BBC ou ONU. Ficava complicado largar tudo pra fazer algo assim. Mas dessa vez era diferente, eu tinha tempo e, com a criação do Sensei Sportv, a oportunidade perfeita para fazer uma matéria bacana e que valesse a aventura.

Mas para valer a ida não bastaria cobrir o evento, tinha que pintar algo mais... Um furo ou uma exclusiva com alguém importante... Só valeria a pena se conseguisse uma entrevista com o Dana White, presidente do UFC.

Dana White é o maior responsável pela revolução que o mundo das lutas vem passando nos últimos 7 anos. Quando ele convenceu os milionários irmãos Fertitta, seus amigos de infância, a comprarem o UFC, o vale-tudo era marginalizado e ilegal em praticamente todos os estados americanos, comparado inclusive pelo então senador republicano John McCain como uma "rinha de galos humana".

O preço da aposta: 2 milhões de dólares.

No começo, prejuízo. Conversando com Lorenzo Fertitta, ele me disse que nos primeiros dois anos eles pensaram várias vezes em fechar as portas da organização. Mas a influência dos Fertitta entre as comissões atléticas e a insistência e as idéias de Dana White renderam frutos. Primeiro eles fizeram uma série de mudanças nas regras, transformando o antigo vale-tudo no moderno MMA (Mistura de Artes Marciais). Com isso, deram uma cara nova à organização, que foi definitivamente estabelecida com a popularidade do reality show The Ultimate Fighter. A idéia de Dana White de colocar 16 lutadores fechados numa casa estilo Big Brother e treiná-los para que lutassem entre si em cadeia nacional por um contrato final no UFC foi um sucesso absoluto nos EUA, transformando o MMA numa febre nacional.

Enquanto o UFC ganhava cara de esporte e conquistava espaço nos meios de comunicação esportivos como uma espécie de novo boxe, no Japão a principal organização do país, o Pride, pecava em transformar o vale-tudo num show de gosto duvidoso, promovendo lutas bizarras entre uma luta séria e outra. Unindo isso à falta de profissionalismo e às descobertas do evolvimento da máfia japonesa, a Yakuza, com os organizadores do evento, os melhores lutadores foram aos poucos deixando a terra do sol nascente para a nova meca do MMA mundial, os EUA.

Com o trabalho sério e profissional, com visão de mercado e planejamento estratégico digno das melhores ligas de esportes profissionais do mundo, o UFC conseguiu tranformar o MMA no esporte que mais cresce em popularidade no mundo hoje em dia.

A organização hoje vale cerca de US$1 bilhão de dólares e as vendas de pay per view já ultrapassam as 5 milhões de compras anuais. Os quase 300 atletas empregados pelo UFC ganham em média US$100 mil por ano e as grandes estrelas tem um rendimento anual na casa dos milhões. A organização já fez diversos eventos no Reino Unido e tem planejados eventos na Alemanha, Finlândia, Filipinas, Austrália e Itália para o ano que vem, sendo que o Brasil entra no calendário em 2010.

Com a popularidade do MMA e do UFC nos EUA, Dana e os irmãos Fertitta se transformaram em celebridades quase inacessíveis. Por isso a importância de se conseguir uma entrevista com eles, hoje em dia um privilégio de poucos.

Já na Espanha, com a ajuda da colega Clarisse Granadeiro e do empresário Marcelo Tetel, que iria ao evento com o Luiz Arthur Cané ("Banha"), consegui um contato com os organizadores do evento. Em contato com o UFC, descolei as credenciais, comprei a primeira passagem para Inglaterra e parti, sem saber se a entrevista sairia ou não.

Cheguei na quarta-feira à noite, três dias antes do evento. Geralmente a semana de um UFC é cheia de atividades dedicadas aos fãs e à imprensa especializada. Na quarta, rola um treino aberto onde os lutadores dão uma primeira impressão sobre como estão para os confrontos do sábado. Na quinta, uma coletiva de imprensa. A sexta-feira é um dia dedicado aos fãs, com as pesagens abertas ao público e com perguntas e respostas dos fãs com os atletas e com Dana White. E o mais engraçado é que a grande estrela é mesmo o presidente do UFC, que responde a TODAS as perguntas da platéia sem nenhum constrangimento, num bate papo super descontraído e que dura quase duas horas e conta com aproximadamente mil e quinhentos fãs.

Eu fui na cara e na coragem porque sabia do interesse do UFC em divulgar os eventos internacionais. Hoje a expansão internacional do UFC é o maior objetivo da organização e, se a possibilidade de fazer uma exclusiva com Dana White fosse possível, seria num evento como esse, no centro da Inglaterra, sem pay per view e com atletas pouco conhecidos.

Acordei na quinta de manhã, coloquei a câmera e o resto do equipamento nas costas e parti para a coletiva do lutadores. Chegando lá, fui recebido por uma das cabeças do evento na Inglaterra, que por coincidência é de família armênia e tem uma irmã nascida no Líbano. Como eu morei dois anos em Beirute foi fácil a conversa fluir e ela se mostrou super interessada em ajudar a conseguir a exclusiva.

No meio da conversa se aproxima um senhor barba grisalha ao qual sou apresentado: Marshall Zelaznik, chefe de operações do UFC na Inglaterra. Enquanto me apresentava chega do outro lado um outro sujeito impaciente, perguntando quando começaria a coletiva. Era Dana White. Neste momento, minha nova amiga armênia me apresenta: "Dana, esse é Fernando Kallás, que veio do Brasil para fazer uma entrevista com você." Dana deu uma gargalhada seguida de uma expressão que, traduzida para o português seria um "Você está de sacanagem?!". Eu disse que não, que estávamos batalhando para mudar a imagem do esporte no Brasil e dar a devida importância aos lutadores brasileiros no país de origem. "Claro que eu dou a entrevista", disse ele estendendo a mão. "Cadê o seu equipamento? Vamos fazer agora mesmo!"

Eu tomei um susto, porque não esperava que fosse rolar naquele dia. Eu tinha feito um esboço das perguntas, junto com algumas idéias do Mário Filho e da Ana Hissa, criadores do Sensei, mas que estavam no hotel, no meu laptop. Mas a oportunidade não bate duas vezes na porta e fiz assim mesmo, na cara e na coragem. No final, um bate papo de quase uma hora que você vai poder conferir, editado, no Sensei Sportv deste sábado, dia 6 de dezembro, à meia-noite.

Pessoalmente, Dana White não faz juz a fama de arrogante, pelo contrário. Foi extremamente simpático não só durante a entrevista mas também em todas as outras vezes que nos encontramos até o fim do evento, no sábado. É sincero, carismático e tem uma espontaneidade rara entre celebridades. Vai ver a fama de arrogante vem daí, de não ter papas na língua e falar o que pensa. Se você pisa no calo ou na bola com ele, vai ouvir o que não quer. Mas no meu caso, a personalidade e disposição de Dana White funcionou sempre de forma positiva. Durante quase uma hora de entrevista, ele não deixou de responder uma pergunta sequer, sempre de forma clara e direta. Na entrevista dá pra notar o interesse dele no mercado brasileiro que, na minha opinião, será atacado por eles de forma cada vez mais agressiva nos próximos dois anos.

Portanto, se você é fã de lutas ou de esportes em geral, vale a pena conferir o Sensei Sportv com a entrevista especial com Dana White. Isso porque pode ser a primeira de muitas vezes que você verá esse sujeito em terras brasileiras.

Abaixo, o programa na íntegra:

Sábado, 31 de Maio de 2008

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Poder paralelo sequestra e tortura jornalistas no Rio de Janeiro

Perplexidade e revolta foram os sentimentos que tive ao ler a notícia sobre o sequestro e tortura dos colegas da equipe de reportagem do jornal O Dia por milicianos da Favela do Batan, em Realengo, subúrbio do Rio.

A emoçao e comoçao sentidas também foram grandes, muito pela inevitável lembrança da morte de Tim Lopes, um dos meus maiores incentivadores e mentores quando eu ainda era estagiário na Editoria Rio da TV Globo. Tim era uma pessoa do bem, simples, humilde, simpática e competente, que tinha a perfeita noçao do papel social do jornalista e que queria fazer a diferença. Assim como, acredito eu, a equipe do jornal O Dia queria quando entrou na favela para denunciar as práticas criminosas das milícias que disputam com os traficantes o poder das áreas carentes cariocas.

Os colegas foram sequestrados e torturados durante sete horas e meia pelos chamados milicianos, período em que foram submetidos a socos e pontapés, choques elétricos, sufocamento com saco plástico, roleta-russa, tortura psicológica e todo tipo de situação degradante.

As Milícias, criadas sob o aparentemente inocente argumento de enfrentar o tráfico de drogas e livrar as comunidades pobres do crime organizado, se mostram muitas vezes piores do que os próprios traficantes.Compostas por policiais, agentes penitenciários, bombeiros e ex-servidores da Segurança Pública, eles dominam hoje cerca de 78 comunidades no Rio de Janeiro, onde estruturaram um exército muito bem armado e ditam leis a aproximadamente 2 milhões de cariocas, submetidos a um código penal que nunca foi escrito.

Deixo aqui meu repúdio e indignaçao à situaçao e meus mais sinceros votos de solidariedade e respeito aos colegas do jornal O Dia, que pagaram por tentar prestar um serviço a favor da cidadania e a todos os cidadaos cariocas, oprimidos pela criminalidade. Pagaram pela coragem e ousadia de querer fazer a diferença.

Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

OBRA PRIMA DOS IRMAOS COHEN!

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Sei que o Líbano está em chamas, que hoje é o aniversário de 3 anos da morte de Hariri e que um dos militantes xiitas mais procurados do mundo foi assassinado em Damasco.

Mas hoje nao vou falar de nada disso.

Vou falar de um filme que acabo de ver e que termina por ser um dos melhores que já vi em toda minha vida.

Trata-se de "Onde os fracos nao têm vez" (No country for old man), o mais recente e tbm o mais brilhante trabalho dos irmao Ethan e Joel Cohen.

Desde já uma obra prima!

Nao lembro de um filme onde onde o vilao fosse um ser tao aterrorizante que faz com que todo o cinema prenda o fôlego todas as vezes que ele aparece na tela.

O papel memorável do espanhol Javier Bardem entra para a lista dos maiores viloes da história do cinema!

Ele é a personificaçao do mal, o Anjo da Morte, tao poderoso e violento que obriga o mocinho a desistir antes mesmo de enfrentá-lo.

O mocinho no caso é Tommy Lee Jones, que merecia inclusive a segunda indicaçao ao Oscar desse ano pelo papel do xerife Bell. Sua atuaçao é sublime, levando no rosto o semblante do desgosto sob a impotência perante um mundo e um mau que ele simplesmente nao pode enfrentar. Um xerife veterano que conheceu a profissao numa época onde, como ele mesmo diz, "xerifes nem armas levavam", e no momento em que é obrigado a sacar seu revólver pela primeira vez, descobre que o inimigo é algo tao inalcansável e de uma maldade tao incompreensível que a única alternativa é se aposentar em vez de caçá-lo.

Seus diálogos sao a alma do filme e conduzem essa história com um ar de contemplaçao, suspense e angústia impressionantes, sobre um mundo tao cruel e sem sentido que pessoas normais e decentes como o xerife e 90% das vítimas de Bardem simplesmente nao tem vez.

Os irmaos Cohen levam com maestria o espectador a um nível de suspense e adrenalina que poucas vezes provei numa sala de cinema. E no momento onde vc está preparado para alcançar o êxtase total, vem o anti-clímax abrupto num final niilista que obriga a platéia a uma reflexao. A narraçao do xerife, a trilha sonora e a conduçao magistral dos diretores criam uma aura noir explêndida nesse faroeste moderno sobre a banalizaçao da violência e a crueldade as vezes sem explicaçao de um EUA (ou um mundo?) em transformaçao, no começo da década de 80. Nao há motivos, nao há desculpas e nao há porquês. As vezes as coisas simplesmente acontecem e nao há nada mais o que fazer a nao ser jogar uma moeda para cima e escolher entre cara ou coroa.

Uma terra de ninguém, onde mocinhos se aposentam e viloes saem ilesos... ou nem tanto.

"Onde os fracos nao tem vez" é uma obra de arte, uma obra prima, que se resume no olhar e nas palavras de Tommy Lee Jones ao contar o sonho que teve com seu pai, cavalgando quando criança nas mesmas terras onde ele vive e viveu toda a sua vida, mas terra essa que ele nao consegue mais reconhecer e onde ele sabe que simplemente nao pertence mais.

Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

Mais um carro bomba mata pelo menos onze pessoas em Beirute

O ano novo começa negro para os libaneses que, afundados na pior crise política do país desde o fim da guerra civil, foram vítimas hoje do segundo atentado de 2008.

Um carro bomba explodiu agora pela manha e matou pelo menos 11 pessoas no bairro de Chevrolet, entre as localidades de Furn El-Chebek e Hazmieh, na saída de Beirute para a Síria e o Vale do Bekaa.

Segundo autoridades, o alvo foi o capitao Wissam Eid, membro do Departamento de Informaçao das Forças de Segurança Interna Libanesas. A explosao teria matado Eid, dois guarda-costas e 8 pessoas mais que passavam pelo local. A bomba explodiu numa regiao muito movimentada, ao lado do centro comercial Abraj que tem um grande edifício de escritórios, vários restaurantes, cafés e um grande cinema.

O Departamento de Informaçao foi criado em 2005 para investigar, principalmente, os atentados terroristas que na época voltavam com força total ao país. Mas desde entao foi criticado publicamente várias vezes pela oposiçao por estar sendo usado para os interesses do da família Hariri e seus aliados.

Eid já tinha sido vítima de outro atentado há quase dois anos, quando atacado por uma granada na porta da sua casa. Apesar de graves ferimentos nas maos e nos braços, Eid sobriviveu.

O atentado de hoje acontece apenas 10 dias depois de que outro carro bomba explodisse numa regiao muito próxima, matando 3 pessoas e ferindo outras 20.

A crise no Líbano piora com a escalada da violência e com o vácuo de poder, já que o país está sem presidente desde o mês de novembro.

Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Parlamento libanês adia pela 13ª vez a eleiçao presidencial

Mais uma vez foi adiada a sessao parlamentar que escolheria o presidente do Líbano. Desde o dia 14 de setembro, data prevista para que a eleiçao presidencial acontecesse, essa é a 13ª que os grupos políticos rivais adiam a votaçao por nao chegarem a um acordo sobre a representavidade de cada um dos grupos no novo governo.

A Liga dos Estados Árabes mandou o seu representante, o secretário-geral da entidade, Amir Moussa, para tentar uma mediaçao entre as partes. Mesmo com a adiaçao de hoje, Moussa está otimista quanto à resoluçao do impasse que deixa o país sem presidente desde novembro. Segundo o egípcio, a adiaçao era necessária para que os rivais terminem de acertar todos os detalhes para que, em fevereiro, a eleiçao possa finalmente acontecer.

A proposta da Liga Árabe consiste em que o novo presidente seja o comandante das Forças Armadas, general Michel Suleiman, nome que já tinha surgido anteriormente como o mais próximo de um concenso entre os dois blocos rivais. Além disso, a Liga propoe que nenhum bloco tenha maioria no novo gabinete ministerial e, assim, ninguém tenha poder de veto. Que dos 30 ministérios, 10 sejam para a situaçao, 10 para a oposiçao e 10 indicados pelo próprio presidente. Depois que o presidente seja eleito e que o novo governo de coalisao seja formado, entao seria a hora de mudar a lei eleitoral, modernizando-a e adaptando-a à atual realidade populacional do país.

O grande problema é que ninguém quer ficar sem o poder do veto e aí fica o impasse.

Vale lembrar que quando falamos de partidos políticos e grupos rivais no parlamento nao estamos falando apenas de divergências ideológicas. O Líbano é um país onde, até hoje, o sistema político é confecional e as mesmas lideranças "religiosas" que deram igniçao aos conflitos que levaram à 15 anos de guerra civil sao os que se mantém no poder até hoje. Nas ruas do país é claríssimo o clima de tensao sectária e desde o fim dos bombardeios isralenses, no ano passado, já foram registrados vários enfrentamentos violentos entre grupos rivais.

Mais uma vez a fragilidade do país é um prato cheio para ser usado pelas potências rivais da regiao para os seus propósitos mais escusos. Enquanto a Arábia Saudita apoia o grupo chamado 14 de Marços, liderado por Saad Hariri, filho do ex-primeiro-ministro assassinado, Rafic Hariri, a Síria e Ira apoiam a oposiçao, o 8 de Março, liderado pelo líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah e pelo líder do Movimento Patriótico Livre, o ex-presidente e ex-primeiro-ministro, general Michel Aoun. Aoun é, inclusive, o nome preferido da oposiçao para assumir a presidência.

Nao é à toa que Amir Moussa se reuniu semana passada com o ditador sírio, Bashar El-Aassad, para conversar sobre o impasse no Líbano. Apesar da Síria nao estar mais presente oficialmente no país desde terminou a ocupaçao militar no país, há dois anos, o Aassad continua agindo como se o Líbano fosse o quintal da sua casa de veraneio.

A situaçao é complicada e parece que mais uma vez os políticos libaneses nao serao capazes de resolver sozinhos suas diferenças. Que mais uma vez serao os vizinhos que terao que obrigar suas marionetes a entrar em um acordo. Num momento em que o país deveria estar dando um exemplo de que pode ser independente e instaurar uma verdadeira democracia, a dependência do Líbano aos países vizinhos cresce em vez de diminuir.

Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Explosao mata pelo menos três pessoas e fere mais 20 no subúrbio de Beirute.

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A mistura preferida dos inimigos do Líbano nos últimos anos é juntar a tensao e desordem política com atentados terroristas.

Desde a enorme explosao que matou o ex-primeiro ministro Rafic Hariri, em fevereiro de 2005, foram ao todo onze atentados, entre carros-bomba e assassinatos políticos. Um deles em frente ao meu antigo prédio, no bairro de Achrafie, leste de Beirute, que matou o jornalista e escritor Samir Qassir.

No começo os alvos eram claramente personalidades libanesas envolvidas de alguma forma com a vida política do país, com poucas vítimas colaterais, mas hoje a história é diferente.

A bomba que explodiu no distrito industrial de Karantina matou três cidadaos comuns, um sírio e dois libaneses. Além deles, mais de 20 pessoas que também passavam por acaso pelo local ficaram feridas, algumas com gravidade. Um número que eu acho pequeno, devido ao grande movimento de veículos e pessoas na via, ao lado de Daura, que é um dos principais pontos de passagem para quem entra e sai de Beirute rumo ao norte

Segundo a polícia libanesa, o alvo pode ter sido um carro da embaixada americana que passava pelo local, mas que sofreu poucos danos. Aparentemente, o que salvou o oficiais americanos foi o carro onde estavam os dois libaneses que foram mortos, que ultrapassavam o veículo oficial e, por puro azar, ficaram entre os diplomatas e o carro bomba.

A explosao coincide com o final da visita do presidente americano, George W. Bush, na regiao e aumenta ainda mais a tensao política e sectária no país, que está desde novembro sem presidente, já que os dois blocos políticos nao chegam a um acordo sobre o questoes vitais como o número de cadeiras no parlamento e o nome do novo presidente.

Pequenos enfrentamentos entre grupos xiitas e sunitas e entre grupos rivais cristaos já foram registradas e um atentado como esse só faz aumentar a instabilidade.

Se os políticos libaneses quisessem o bem do país, tratariam de por um fim à situaçao de total anarquia em que o país vive hoje e escolheriam já o novo presidente. Nao que isso fosse mudar muita coisa, mas o vácuo de poder só aumenta a sensaçao de insegurança na populaçao.

Karantina é hoje uma regiao industrial e de passagem para quem vai e vem de cidades do norte, como Jounieh, Biblos e Tripoli. Mas durante muito tempo foi uma grande favela habitada por refugiados palestinos e curdos. O local tem esse nome pq era como as pessoas se referiam à área como uma zona de quarentena para imigrantes refugiados, totalmente marginal à capital. Em 1976, nessa antiga favela, cerca de mil pessoas foram mortas em um ataque de milícias cristãs que ficou conhecido como um dos mais sangrantos massacres da história do país.

Domingo, 13 de Janeiro de 2008

Se depender dos políticos libaneses, o futuro do país já está escrito!

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Há certas previsoes e análises que faço torcendo para estar errado. Principalmente as que venho formulando nos últimos três anos em relaçao ao futuro político, econômico e social do Líbano.

Já comprei brigas e inclusive fui censurado por diversas pessoas ligadas a associaçoes, fundaçoes ou órgaos políticos árabes no Brasil por meu "negativismo" e "pessimismo" em relaçao a atual situaçao do Líbano, diferente da abordagem utópica que é tao comum no meio árabe brasileiro de encarar o Líbano como um país das maravilhas, com suas lindas montanhas cobertas de enormes cedros e o centro majestoso de Beirute totalmente reconstruído.

Acho que deve ser muito fácil falar das maravilhas do Líbano quando se vive em um apartamento de luxo no Rio ou em Sao Paulo, indo passar férias uma vez ao ano numa casa de veraneio nas montanhas libanesas, da praia particular ao restaurante caríssimo dentro de um carro importado, totalmente alheio aos verdadeiros problemas do país.

E sao estes os libaneses que comandam o Líbano, a elite política corrupta formada por famílias que enriqueceram as custas da desgraça do país e passam de pai pra filho nao só as cadeiras do parlamento como tbm os apartamentos em Paris, Marbelha e Nova Iorque.

Enquanto quase um terço do país teve que deixar sua casa para trás enquanto Israel bombardeava de forma incansável cidades libanesas atrás dos "terroristas" do Hezbollah, os políticos que hoje acham que seus interesses pessoais sao mais importantes que escolher um novo presidente nao estavam em suas coberturas em West Beirut e sim com os rabos entre as pernas na Europa.

Foram movimentos comunitários e de jovens engajados que providenciaram as primeiras ajudas aos desabrigados da guerra contra Israel. Nenhuma surpresa já que a infra-estrutura do país e a presença do Estado no cotidiano dos libaneses é praticamente nula. Antes mesmo da guerra, nao havia um dia no qual nao faltasse luz ou água. Nao há estaçoes de tratamento de esgoto e o lixo vai parar em depósitos que sao verdadeiras montanhas tóxicas, às margens do Mediterrâneo, poluíndo as lindas praias da costa do país.

Um país que é tratado como se fosse descartável pelas potências regionais e internacionais, que só interferem quando seus interesses estao em jogo. E sao as mesmas famílias políticas que levaram o país à 15 anos de guerra civíl as que continuam no poder. A renovaçao existe, é verdade: de pai para filho. E a missao dos políticos libaneses nao é o bem do país e sim manter o bem da própria família, fazendo a vontade dos "aliados" em Washington, Paris, Riad, Damasco ou Teera.

A vaidade, arrogância, ganância e orgulho dos políticos libaneses que mantém, desde setembro, o país sem um presidente pode estar levando o Líbano rumo à novos conflitos sectários de proporçoes catastróficas. Já foram registrados pequenos enfrentamentos entre grupos xiitas e sunitas e entre grupos rivais católicos. O centro da cidade está sitiado pelo exército e Beirute vive sob a constante ameaça de assassinatos políticos e atentados terroristas que têm um crescente número de vítimas inocentes. A economia local vai de mal a pior, o desemprego aumenta a cada dia e os libaneses têm cada vez menos perspectiva de futuro no seu próprio país.

A disilusao aumenta ao ver o bate-boca dos vaidosos políticos de gel no cabelo e terno Armani, mais preocupados com as diferenças e interesses pessoais do que com o futuro do país.

Há quase quatro meses o Líbano está sem presidente. As eleiçoes, que deveriam acontecer no da 14 de setembro, sao adiadas constantemente pelas diferenças entre a aliança do governo e a oposiçao que nao conseguem chegar a um acordo em relaçao ao número de cadeiras no parlamento que cada um teria direito e o nome do novo presidente, entre outras coisas.

Em vez de discursos inflamados e pomposos mas sem nenhum conteúdo prático, os políticos libaneses têm que agir rápido para nao afundar o país ainda mais nessa situaçao de anarquia que precede o caos.

Mas conhecendo os políticos libaneses e seus aliados, um acordo nao deve acontecer tao cedo. Até pq eles nao tem pressa, já que no caso de uma escalada de conflitos, têm seus jatinhos com o tanque cheio esperando para levá-los de volta à Paris, Nova Iorque, Riad, Sao Paulo...

Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

Soldados da ONU morrem numa cidade que ficou conhecida pela tortura!

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Soldados da ONU buscam ajuda após a explosao

Seis soldados da Força Interina da ONU no Sul do Líbano - UNIFIL - foram mortos ontem vítimas de uma explosao de um carro bomba na cidade de Khiam, sul do Líbano.

Agora há um fato sobre Khiam que faz esse atentado diferente e que você provavalmente (e infelizmente) nao vai ler nos jornais por aí.

De Khiam só vao se lembrar os que conhecem o Líbano e os anos e anos de atrocidades que aconteceram nesta cidade durante a ocupaçao israelense, graças à prisao que Israel alí manteve durante 15 anos, de 1985 ao ano 2000.

Sabe Abu Ghraib? Entao... Abu Ghraib é a versao iraquiana do que foi durante anos Khiam!


A prisao de Khiam ficou conhecida por ser durante anos um antro de tortura e execuçao de prisioneiros árabes pelo exército de Israel, mantidos em cárcere sem julgamento e acusaçao oficial. Muitas vezes nem se sabia quem estava preso em Khiam.

Presos palestinos detidos em Gaza e Cisjordânia eram mandados pra lá. Presos libaneses eram torturados e mortos dentro do próprio país e, muitas vezes, por torturadores libaneses do Exército do Sul do Líbano, a milícia cristã libanesa contratada e mantida por Israel para ajudá-los a administrar a prisao e a lutar contra o Hezbollah.

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A prisao de Khiam

"Essa prisao é totalmente fora da lei. Os libaneses e palestinos alí detidos nao tem nenhuma idéia de quando ou até mesmo se serao libertados" disse, em 1999, Hanny Megally, entao diretor executivo da organizaçao Human Rights Watch. "A comunidade internacional nao pode mais aceitar o que Israel faz dentro dessa prisao. E Israel deve ser ser julgada e arcar com as consequencias pelas constantes violaçoes das leis humanitárias e de direitos humanos internacionais que acontecem dentro de Khiam." Complementou Megally, poucos meses antes da prisao ser desativada para sempre.

Aqui vc pode encontrar um dos muitos relatórios da HRW sobre Khiam.

Depois da retirada de Israel, em 2000, a prisao foi desativada e tranformada em um museu, para que as torturas e barbáries nao fossem jamais esquecidas.

Mas durante a guerra do ano passado, o exército israelense "fez questao" de guardar um dos bombardeios especialmente para varrer a prisao de Khiam do mapa, destruindo-a para sempre.


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A prisao já transformada em museu, antes de ser destruída por bombardeios israelensese, ano passado

Quanto ao atentado em si, deixa ainda mais claro o que eu venho dizendo nos últimos textos. Que forças externas estao fazendo de tudo para desestabilizar ainda mais o Líbano e jogá-lo em outra guerra civil. Plantam um grupo de guerrilheiros radicais no norte do país... assassinam políticos e explodem bombas contra a populaçao em Beirute... E agora matam soldados da ONU no Sul...

Interessados sao muitos para que a instabilidade da regiao aumente... os únicos a quem esse jogo doentio nao tem nenhuma graça sao os libaneses, que todos os dias vêem o país ir rolando ladeira abaixo.

Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

HOJE NA TVE BRASIL

Estarei hoje, quarta-feira, participando do programa "Espaço Público" da TVE Brasil.

O tema será Oriente Médio e as crises na regiao.

A TVE pode ser vista no Rio de Janeiro pelo canal 2, o entao pela Sky, NET ou antena parabólica.

Terça-feira, 19 de Junho de 2007

Quem será o próximo?

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Demorei um pouco para escrever sobre o assassinato do membro do parlamento libanês e ex-juiz, Walid Eido, morto vítima de um carro bomba na quarta-feira da semana passada. Queria digerir um pouco melhor a notícia e baixar um pouco o sangue quente que subiu depois de mais essa tentativa canalha de desestabilizar ainda mais a frágil situaçao política do país.

Eido era do grupo de Hariri, sunita, e um jurista bastante respeitado, extremamente crítico das intervençoes sírias no país. Mas eu conheci mesmo Eido há pouco tempo, quando ele corajosamente foi a público chamar de "ocupaçao" as manifestaçoes, barricadas e tumultos em Beirute provacados pelo Hezbollah numa tentativa frustrada de derrubar o governo. Eido comparou as revoltas urbanas e toques de recolher em toda a cidade impostos pelo grupo naqueles dias com a ocupaçao israelense no sul do Líbano.

A capa do L'Orient-Le Jour no dia seguinte ao assassinato de Eido trazia a seguinte manchete:

"70...69...68."

Essa contagem regressiva é pelo fato de que, como nao há suplentes no parlamento libanês, eliminando os parlamentares que apoiam o governo até o número de 65, o primeiro ministro Fouad Siniora perde a maioria na casa. Primeiro foi o líder das Falanges Libanesas Pierre Gemayel, morto em novembro do ano passado... Agora Eido... seja lá quem esteja por trás disso, agora só precisa matar mais três parlamentares governistas.

Eido foi morto, assim como meu vizinho e genial jornalista e intelectual Samir Kassir, o nobre comunista George Hawi, o corajoso jornalista Gibran Tueni e o também parlamentar Pierre Gemayel... Em comum? Todos eram ativistas e críticos contra a interferência síria no país.

Mas nao há nenhum suspeito ou nenhuma prova que a Síria esteja por trás da morte de Eido... como nao há das mortes de Kassir, Hawi, Tueni, Gemayel... Pra falar a verdade, nao há nem mesmo pistas... nao há nenhuma prisao... nunca ouvi falar de nenhuma investigaçao...

Parece que realmente mais fácil colocar a culpa desses acontecimentos na instabilidade interna do Líbano e continuar dizendo que o país está indo por um caminho sem volta rumo à conflitos internos.

Vai ver por isso nao há investigaçoes, pistas, prisoes ou culpados... há apenas mortos. E enquanto essa indiferença bizarra continuar e ficarem todos pendentes desse tal tribunal internacional que "trará justiça" aos que mataram Hariri, mortos continuarao.

Nao adianta apenas culpar os elementos externos das desgraças, se os agentes internos simplesmente perderam totalmente a fé e confiança no seu estado ao ponto de pensar que a única investigaçao quer funcionaria seria de fora! Nao vai ser um tribunal imporovisado da ONU que vai resolver os problemas do Líbano e vai acabar com essa onda desenfreada de assassinatos políticos.

Os próprios libaneses tem que encontrar uma forma de neutralizar de vez essa dependência de fatores externos para resolver seus problemas internos e, ao mesmo tempo, uma forma de também neutralizar fontes externas de instabilidade. E passar assim a tentar entre eles pacificar as insatisfaçoes internas, achando de vez um sistema realista e igualitário de governo. Pq enquando o Líbano continuar sendo esse país de marionetes e esse palco de atrocidades de vizinhos sádicos, mais políticos, jornalistas e intelectuais vao fazer companhia no cemitério a como Eido, Kassir, Hawi, Tueni, Gemayel e tantos outros.

Sábado, 9 de Junho de 2007

O DISCO DO ANO!!!

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Primeiro foi a novidade... Uma mistura de coral com orquestra sinfônica e banda de rock, com quase 30 músicos e cantores e um espírito meio Jesus Cristo Superstar, fazendo um som hippie hipnótico-licérgico, com um visual que lembra aquelas seitas malucas americanas.

Nao dá pra nao reconhecer que os texanos do Polyphonic Spree chamaram a atençao e ganharam notoriedade muito mais pela curiosidade do que pela qualidade do som. Apesar de algumas boas baladas como a bem conhecida "Light & Day", o que chamou a atençao da mídia e os fizeram ganhar fas foi a criatividade e peculiadade do grupo, com um visual uniformizado ao usar túnicas no palco, além das letras e astral positivista e eufórico... Quase religioso.

O que rendeu tbm muitas críticas, algumas pesadas, como a da revista Entertainment Weekly, que classificou o segundo disco da banda, "Together We're Heavy", como o segundo pior album do ano em 2004, criticando o que a revista definiu como "falsa imagem de alegria" passada pelo grupo.

Mas o Poliphonic Spree terá a chance de responder a todas as críticas e, pq nao, ao desejo dos fas de novas músicas, com o lançamento do disco novo, The Fragile Army, que será lançado semana que vem no mundo todo.

Tive acesso à The Fragile Army e posso dizer que nao só é o melhor (e mais comercial) disco da banda até hoje como tbm é o melhor disco do ano!

Carro chefe do álbum, o single "Running Away", já nasce um clássico, reunindo todas os elementos que fizeram do Polyphonic um sucesso, adicionando um lado mais rock e pop ao som do conjunto, sem perder a qualidade. Estao aí os vocais, a orquestra, as letras leves, quase esotéricas e cafonas, mas unidas à uma guitarra elétrica e batidas envolventes.

"Eu me senti tao feliz e contente hoje
Porque vc decidiu estar na minha vida
É como correr por aí com o vento na sua cara!
É como voar!"

Abaixo vc pode conferir o vídeo de Running Away e ver o Polyphonic com seu novo visual, esse uniforme preto com um coraçao e uma cruz vermelha no peito. Segundo o maestro, vocalista e líder da banda, Tim DeLaughter, "o coraçao simboliza o carinho e a compaixao. Já a cruz vermelha representa o cuidado com os demais que nós, seres humanos, somos todos capazes de ter..."

Você pode até nao gostar do som do Polyphonic Spree, mas a proposta da banda de "pregar" o amor, o carinho e a amizade na atual situaçao do mundo em que vivemos é no mínimo louvável.

Por mais forçado que possa soar ou parecer, mal, com certeza, nao vai fazer!

Um aniversário para nao comemorar

Reflexoes no aniversário de 40 anos da "Guerra dos Seis Dias", no site do Sidney Rezende.

Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Denzel Washington, Russell Crowe, Ridley Scott... UAU!

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Saiu o trailler do esperado "American Gangster", novo filme do diretor Ridley Scott.

Em "American Gangster" o boa praça Denzel Washington faz o papel do mafioso Frank Lucas, um dos maiores traficantes de heroína dos EUA nos anos 70. Já o australiano encrenqueiro Russell Crowe faz o papel do detetive Richie Roberts, o policial que passou anos perseguindo o bandidão pelas ruas do Harlem, em Nova Iorque.

Diretor de clássicos como "Alien", "Blade Runner" e "Chuva Negra", Ridley Scott continua a parceria com Russell Crowe que rendeu o excelente "Gladiador" e o péssimo "Um Bom Ano".

Quinta-feira, 7 de Junho de 2007

Nova explosão no Líbano mata uma pessoa

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Um carro bomba explodiu agora a pouco no distrito de Zouk Mosbeh, 20km ao norte de Beirute. A explosão matou uma pessoa e deixou três feridas.

Cenário da foto do cabeçalho desse blog, Zouk Mosbeh é um tranquilo distrito cristão que fica na montanha em frente à baía de Jounieh e foi minha casa nos primeiros 6 meses de Líbano. Meu antigo apartamento fica a apenas alguns quarteirões do local da explosão.

Zouk é conhecido pq é onde está localizada a Notre Dame University, uma das principais universidades católicas do Líbano. Administrada por padres da igreja Maronita, foi lá que eu estudei meus dois anos de mestrado.

Os Maronitas - ou filhos de São Maron - são uma das 23 igrejas autônomas que formam a Igreja Católica. Todas professam a mesma fé e doutrina, sendo fiéis ao Papa, mas têm histórias, tradições, ritos e liturgias diferentes. A grande maioria dos cristãos libaneses são maronitas, seguidos pelos Armênios, Ortodoxos e Melquitas.

São maronitas também os radicais religiosos das Forças Libanesas, milícia armada com base nas montanhas do norte do país, famosos pela parceria com Israel durante a guerra civil do Líbano e pela participação no massacre dos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila.

Quarta-feira, 6 de Junho de 2007

Escândalo envolve astro do futebol americano com rinhas de cachorros.

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A notícia estourou já há mais de um mês, quando a polícia de Surry County, no estado da Virginia, nos EUA, invadiu uma das casas do multimilionário quarterback do Atlanta Falcons, Michael Vick, em busca de drogas.

Mas a ilegalidade encontrada na casa de Vick, um dos atletas mais bem do mundo, foi ainda mais chocante.

Cerca de 70 cachorros das raças pitbull e bull terrier foram encontrados em condições péssimas de tratamento e com marcas e materiais que apontavam o local claramente como um centro de criação e treinamento de cães usados em rinhas.

Apesar dele negar conhecimento das atividades, dizendo que um primo vivia na casa e ele ali nao ia há bastante tempo, desde que a notícia foi divulgada pela FOX, Michael Vick, que tem um contrato estipulado na casa dos 100 milhoes de dolares, vem sendo investigado por autoridades federais americanas e a cada dia surge um novo indício ligando-o ao submundo asqueroso das rinhas de cachorros.

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Foto do enorme canil que Vick mantinha escondido nos fundos da casa

Escrevo esse textinho aqui hoje pq agora a pouco a polícia divulgou ter informantes e testemunhas que dizem terem visto, diversas vezes, Vick em rinhas em diferentes cidades americanas. E isso não só pode levar à uma suspensão do jogador sob o novo - e extremamente autoritário - código de conduta da NFL, mas principalmente pode levá-lo à cadeia!

Um bom lugar para acompanhar essa história triste e surreal é o site do meu amigo Mike Florio, Pro Football Talk, que dedicou uma página exclusiva para atualizar as notícias sobre o caso, sempre com um tom irônico genial.
Só jogão em Roland Garros

Se vc vai passar o feriadão em casa, se abrigando da friaca que assola as regiões sul e sudeste, aqui vai uma dica de programão na TV.

As semifinais de Roland Garros - o aberto de tênis da França - foram definidas hoje e prometem ser de arrepiar.

O #1 do mundo e provavelmente de todos os tempos, Roger Federer, encara o russo Kolya Davydenko, #4 do ranking e um dos profissionais mais subestimados do circuito, na minha opinião.

A outra partida é entre dois dos mais jovens e talentosos tenistas do mundo, o turbinado mallorquín Rafa Nadal, 2° melhor tenista ranqueado e praticamente invencível no saibro, e o sérvio Novak Đoković, #6 do ranking e numa fase impressionante essa temporada.

Apesar do clima de espectativa para mais um confronto entre Federer e Nadal, vale a pena conferir as semis pq a vaga na final não deve sair de graça.

Terça-feira, 5 de Junho de 2007

Um aniversário para não comemorar

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Hoje, dia 5 de junho de 2007, é o triste aniversário de 40 anos da guerra que mudou radicalmente o Oriente Médio.

Em 1967 Israel venceu a coalisão árabe e passou a ocupar os territórios palestinos de Jerusalém Oriental, Cisjordânia e faixa de Gaza, além do deserto egípcio do Sinai e as colinas sírias do Golã. A chamada "Guerra dos Seis Dias" marca não só o início da infame política de expansão e discriminação do jovem Estado de Israel nos territórios árabes da Síria, Egito e Líbano, mas principalmente passa a regular com apenas um governo todo o território da antiga Palestina. Guerra de seis dias que dura 40 anos para aqueles que vivem em um Estado que se divide abertamente entre dois povos diferentes, onde o critério usado para definir os direitos básicos dos seus habitantes é a religião. Cerca de 4 milhões de palestinos vivem hoje em Israel numa situação que frequentemente é comparada por muitos com a África do Sul sob apartheid.

É inevitavel notar que muito mudou desde 1967, principalmente em relação às autoridades árabes em rever a posição contra Israel, se mostrando cada vez mais dispostos a diálogos para o fim dos conflitos. Mas o processo de paz morre a cada dia com as políticas de um governo israelense cada vez mais repressor e, concequentemente, com as respostas dos militantes palestinos cada vez mais violentas.

Apesar de alguns pontos positivos e surpreendentes que puderam ser vistos no anterior governo comandado pelo general Ariel Sharon, os atuais líderes políticos israelense se mostram fiéis aos mesmos objetivos de seus antecessores de 40 anos atrás. Por trás de um fiel apoio financeiro e político dos EUA que mantém a imunidade de Israel perante as leis internacionais, o atual governo continua a construção de um muro grotesco e um sistema de estradas surreal com o objetivo de sitiar a Cisjordânia e seus habitantes, transformando o território na maior prisão do mundo. Enquanto palestinos são submetidos à discriminação, miséria e opressão, principalmente na terra de ninguém que se tranformou a Faixa de Gaza desde a suspensão das ajudas humanitárias internacionais, o governo israelense continua vendendo aos seus habitantes vidas falsas, como se estivessem na Suécia.

Um governo que transformou um irresponsável sequestro de soldados pelo Hezbollah, a milícia xiita libanesa, em uma guerra de proporções abomináveis que matou milhares de civís no país vizinho. Guerra essa que agora é apontada por investigações do próprio país em um erro enorme, podendo inclusive terminar na queda de toda a cúpula do poder.

Indo totalmente contra à resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, os políticos israelenses dia a dia acabam com a possibilidade da existência de dois Estados, a única solução realista para o problema, turbinando a colonização da Cisjordânia em proporções que são impossíveis de reverter. Hoje, cerca de 450 mil israelenses vivem nos 140 assentamentos ilegais que cobrem mais de 40% da área onde deveria ser a Palestina. Área essa contruída em terras desapropriadas ilegalmente e sem nenhuma compensação, rodeada pelo infame muro e arame farpado e cortada pelas estradas de uso exclusivo dos israelenses.

Hoje, 4 milhões de palestinos vivem em condições sub humanas em campos de refugiados nos países vizinhos. E algumas das consequências se vêem há duas semanas no Líbano, onde militantes religiosos que usam campos de refugiados palestinos para se esconder estão em choque com o exército libanês. Os confrontros já matram cerca de 114 pessoas. No mesmo período, 4 carros bomba explodiram no país deixando 2 mortos e dezenas de feridos.

O aumento desenfreado e incontrolável da violência na região atinge cada vez mais à população judaica, acabando aos poucos com a falsa sensação de segurança que o governo israelense sempre tentou passar para a população. Ao sul, desde Gaza, ao norte, desde o Líbano, Israel vê cada vez mais de perto o perigo bater à sua porta. Cada dia que passa é um dia a menos para se negociar. Viver em paz é possível, mas só quando o povo israelense e seus aliados internacionais decidirem se querem realmente a paz ou se querem continuar subjugando e humilhando os palestinos e os vizinhos árabes.

Mas a notícia que temos hoje é de que o exército israelense está se preparando para uma eventual guerra em dois frentes, norte e sul... Semana passada ouvimos o anúncio da construção de 2 mil e 500 casas em Jerusalém Oriental... Dá pra ter esperança assim?

Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

Paul Newman pendura as chuteiras

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Ao lado de Robert Redford, no faroeste clássico Butch Cassidy

Um dos maiores atores da história do cinema anunciou esse fim de semana que, aos 82 anos, se aposenta. Nove vezes indicado ao Oscar, ganhador de uma Palma de Ouro, um Urso de Prata, um Emmy e dois Globos de Ouro, Paul Newman construiu uma das carreiras mais sólidas da história do cinema americano. Além do Oscar de melhor ator em 1986, ele ganhou mais duas estatuetas, pelo conjunto da obra (1985) e o prêmio humanitário da Academia, em 1994.

Astro de papéis clássicos em filmes como A Cor do Dinheiro, O Indomado, Golpe de Mestre, Gata em Teto de Zinco Quente e Desafio à Corrupção, eu particularmente sempre vou lembrar de Paul Newman como Butch Cassidy, no filme homônimo, um dos meus faroestes favoritos. Ao lado de Robert Redford, no papel de Sundance Kid, Butch Cassidy foi lançado em 1969 e se transformou no faroeste de maior sucesso de público e arrecadação no cinema até então.

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Com Tom Hanks, em Estrada Para Perdição, papel que lhe rendeu a nona indicação ao Oscar.

Quinta-feira, 24 de Maio de 2007

MAIS VALE TUDO NA GRANDE MÍDIA

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Não bastasse a adesão oficial da ESPN na cobertura do Ultimate Fighting, com matérias especiais, entrevistas e transmissão ao vivo das pesagens dos lutadores, a capa da nova edição da Sports Illustrated, a maior e mais tradicional revista de esportes do mundo, é sobre o crescimento do MMA.

A revista sai na semana de uma das mais esperadas lutas do ano, entre o grosso Quinton Jackson e o técnico e frio campeão dos meios-pesados, Chuck Liddell. O evento acontece no próximo sábado e marca a estréia da cobertura da ESPN.

Aqui no Brasil, vc pode ver o UFC 71 ao vivo pelo Premiere Combate da NET ou Sky.

Segunda-feira, 21 de Maio de 2007

QUE DIABOS?!?!

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CAOS!

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CAOS!

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CAOS!

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"Que diabos está acontecendo???!!!" foi minha primeira frase em uma conversa que tive na manhã de hoje, por telefone, com um amigo de Beirute.

Quando você acha que nada que poderia acontecer no Líbano te surpreenderia, em menos de 24 horas uma série de ocorrências totalmente surreais e sem nenhum nexo, vira o país de cabeça para baixo e deixa todo mundo atordoado, sem entender muito bem o que está acontecendo.

Assalto à banco em Trípoli; bomba em frente ao meu prédio, em Achrafie; emboscada à militares no norte; tiroteio no centro de Trípoli; bomba em Verdun... CAOS!!!

Eu, sinceramente, não consegui entender até agora o que está acontecendo e como tudo começou, se os eventos foram isolados ou se foram orquestrados e, se orquestrados foram, qual o sentido e a estratégia além do pânico e o terrorismo psicológico.

A primeira coisa que me vem à cabeça é simples: CAOS! Mais uma tentativa de enfiar o país no caos, na lama, no inferno, no medo ou no diabo que o parta! Dane-se tudo! Não interessa aonde! Norte ou sul. Bairro cristão ou sunita. Centro da cidade ou campo de refugiados. Libaneses ou palestinos... Não interessa. Quanto mais gente for metida no meio desse sádico samba do crioulo doido, melhor.

E o resultado sempre será o mesmo: mortos... cada vez mais mortos.

Sábado, 19 de Maio de 2007

Cara nova (e com comentários)

Já que estou voltando - aos poucos - a escrever regularmente por aqui, resolvi tbm mudar o visual do blogue, colocar comentários e organizar melhor os arquivos, porque muita gente estava reclamando que não conseguia acessar meus artigos sobre Oriente Médio, de 2004 e 2005.

Não acredito que voltarei à frequência de 2 ou 3 anos atrás, mas abandonado como esteve durante um bom tempo, o blogue não vai mais ficar.

A foto em destaque é a vista da baía de Jounieh, desde o campus da minha universidade, no Líbano. E se vc prestar bem a atenção, vai ver que tem direito inclusive à um mini Cristo Redentor.

Boas lembranças...

Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

Fazendo novos amigos

Na minha última viagem ao Líbano, em novembro do ano passado, conversando sobre futebol americano com alguns ex-colegas de ONU durante um chope num dos simpáticos bares do coração da zona boêmia da cidade, a rua Jemaize, me recomendaram o trabalho de um cara chamado Matt Maiocco, um jornalista do diário Santa Rosa Press Democrat, que cobre o San Francisco 49ers.

Encontrei o blogue dele - que realmente é excelente - e começamos a trocar idéias. E ele se mostrou extremamente surpreso com o fato de alguém do Brasil acompanhar o seu trabalho. Lhe contei a história do Líbano há algumas semanas e ela acaba de ser tema do último artigo publicado por ele.

É bacana como a internet aproxima tanto as pessoas e realmente quebra fronteiras, principalmente quando não há a barreira da língua. Durante meu período no Líbano, sempre tinha feedbacks de pessoas de todo o Brasil e de Portugal que chegavam ao meu blog depois de ouvir minhas reportagens pela rádio ou de ler meus artigos em jornais ou internet.

Não só é bacana ter essa resposta do seu trabalho vinda de tão longe e de pessoas tão diferentes, como essa relação tão próxima entre quem lê e quem escreve ajuda muito na auto-avaliação do trabalho realizado pelo jornalista. Experiência própria.

Se eu senti isso na pele mesmo estando restrito à lingua portuguesa, quem escreve em inglês hoje em dia, como o Matt, terá realmente cada vez mais leitores do mundo todo. E a resposta vinda de diversas culturas, positivas ou negativas, com certeza vai acabar criando uma avaliação muito mais ampla do trabalho, que no papel do jornal seria no máximo regional.

Após a publicação desse artigo de hoje, apareceram diversos comentários de leitores da Europa, Austrália e América Latina que ele nem sabia que existiam.

Esse tipo de coisa só faz reforçar essa idéia que tenho de que o jornalista deve sim ter um blogue e aproveitar ao máximo essa interação com o leitor para avaliar o próprio trabalho.

Boa sorte, Matt, nessa sua nova fase "global"... Fase essa que vc acaba de descobrir que nem é tão nova assim!

Domingo, 13 de Maio de 2007

SAI PRA LÁ, MARRENTO!!!

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Linda a largada de Felipe Massa e o chega pra lá que deu no piloto mais marrento da F1, Fernando Alonso. O asturiano quis passar na marra e Massinha mostrou que aqui nao tem maria mole, fechando a porta na cara do trouxa!

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E nao é só com Massa que Alonso tem que se preocupar, já que seu companheiro de equipe, o novato Lewis Hamilton, é osso duro de roer e já assumiu a liderança do campeonato. Campeonato esse que está correspondendo todas as espectativas de que seria disputado de forma acirrada do começo ao fim... De arrepiar!!!

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Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

PRA QUEM AINDA DUVIDA DO VALE TUDO

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Depois dos irmãos Minotauro participando do Faustão, aqui vai em primeira mão a capa da próxima edição da ESPN The Magazine, com Chuck Liddell na capa. É a primeira vez que o MMA vira capa de uma revista desse porte.

Na matéria entitulada "Como não gostar de Chuck Liddel?", a repórter Allison Glock diz que "Liddel transcendeu o esporte para virar um ícone cultural ... Ele é O CARA para a maioria dos caras que acompanham MMA, um herói verdadeiro e original num mundo cheio de celebridades falsas e que só sabem manter a pose".

Pra quem ainda duvida do crescimento vertiginoso que o vale tudo vem sofrendo nos últimos anos, a capa é mais uma prova de que o esporte está alcançando cada vez mais fãs em todas as esferas da sociedade.

Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

Reflexões dA NATA!

Depois de bastante tempo, as reflexões dA NATA! voltam com uma pérola do Ministro de Imigração da Austrália:


"Ele simplesmente não é o tipo de 'cara' que a gente quer no nosso país!"


(de Kevin Andrews, Ministro de Imigração da Austrália, justificando porque o rapper Calvin Cordozar Broadus Jr., mais conhecido como Snoop 'FoShizleNizle' Dog, foi barrado no aeroporto de Sidney e impedido de entrar no país. O rapper boa gente tem longa ficha na polícia americana, com acusações de assassinato, formação de quadrilha, estupro, porte de armas e de drogas. Mês passado ele já havia sido proibido de entrar no Reino Unido, pq na última viagem à terra da rainha havia sido detido no aeroporto internacional de Londres por badernas e arruaças.)

Quarta-feira, 25 de Abril de 2007

UFC, Pride, Mayweather e o futuro

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O presidente do UFC, Dana White, durante o anúncio da compra do Pride.

Aproveitando o embalo, fico nos esportes pra falar de um assunto que há muito tempo não escrevo por aqui: vale tudo.

Duas notícias que aconteceram nas últimas semana são os motivos pelos quais volto a escrever sobre lutas.

A primeira foi a compra do maior evento de vale tudo do Japão e um dos maiores do mundo, o Pride Fighting Championship, pelo seu principal concorrente, o americano Ultimate Fighting Championship (UFC).

Se você é um fã ocasional de vale tudo, essa notícia pode parecer chocante, já que o Pride durante muito tempo dominou o mercado e os melhores lutadores.

Apesar do UFC ter sido onde o esporte começou a profissionalizar, há quase 15 anos, o vale tudo cresceu, mudou de nome - hoje é chamado de Mixed Martial Arts (MMA) - e o Pride acabou se tranformando no maior evento do mundo, levando ao Japão a meca do MMA do planeta.

Mas nos últimos anos o enorme crescimento do interesse do público americano no MMA e seu profissionalismo, aliado ao declínio inegável da popularidade do boxe, fez com que o UFC retomasse o caminho do sucesso. E ajudado por um escândalo envolvendo os donos do Pride, que estariam envolvidos com a máfia japonesa, o UFC comprou o evento e, desde o mês passado, é dono das duas maiores ligas de MMA do mundo.

É esse sucesso do UFC e o profissionalismo do MMA que nos levam ao segundo ponto que me fizeram escrever esse texto.

Numa das coletivas de imprensa em preparação para a luta entre Floyd Mayweather Jr. e Oscar de la Hoya, que acontece dia 5 de maio pelo título mundial dos médio-ligeiros, Mayweather disse que "o UFC é merda nenhuma". Segundo ele, o "MMA não é nada mais do que uma moda passageira." Para ele, "os lutadores de MMA são caras que não conseguiram ser boxeadores". "Qualquer um pode fazer um par de tatuagens e cair na porrada como esses caras. Se vc colocar qualquer boxeador de elite no UFC, ele seria o campeão. Ele nocautearia qualquer lutador de MMA em poucos segundos.", completou o campeão mundial de boxe.

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O fanfarrão Floyd Mayweather Jr. (dir.) encara Oscar de la Hoya numa das típicas coletivas de imprensa para promover a luta do próximo fim de semana

Lembro quando, há 15 anos, eu ouvia dizer que o vale tudo era apenas uma moda, que não era esporte, que não iria vingar, sempre seria marginal, etc e tal. E naquela época realmente o vale tudo fazia justiça ao nome, era uma briga de rua mesmo, sem luvas ou regras, onde dois sujeitos de passados e lutas totalmente diferentes se enfrentavam num octógono fechado por uma cerca de arame.

Mas o tempo passou e hoje a única coisa que ficou foi o famoso octógono, criado pelo brasileiro Rorion Gracie e que virou marca registrada do UFC.

Uma nova geração de lutadores que eram moleques quando tudo começou, cresceram fascinados por como Roice e Rickson Gracie lutavam jiu jitsu, como Ken Shamrock, Randy Couture ou Dan Severn aplicavam suas técnicas de greco-romana e luta livre ou como Marco Ruas distribuía seus chutes destruidores às pernas dos adversários. A chegada de lutadores de kickboxing aumentou os embates em pé e obrigaram aos praticantes de jiu jitsu e greco-romana à aprender boxear e chutar. E vice e versa.

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O veterano Randy Couture, uma lenda viva do esporte e um dos melhores lutadores profissionais de MMA de todos os tempos.

O resultado hoje é um esporte que também faz justiça ao seu novo nome, Mistura de Artes Marciais ou Artes Marciais Mistas. Porque hoje nos ringues do UFC e Pride vc encontra alguns dos atletas mais preparados do mundo, versados em 3 ou 4 artes distintas, capazes de nocautear com um chute alto com a mesma facilidade que teriam para finalizar o oponente com uma chave de braço, perna ou estrangulamento.

E o simples fato de Mayweather, um dos maiores boxeadores do mundo, ter que falar de MMA em vez da sua própria luta para se promover é uma prova do tamanho e importância do vale tudo tem hoje em dia.

Hoje o MMA é o esporte que mais rápido cresce no mundo e os números não mentem.

Em agosto do ano passado, a luta pelo título mundial dos pesos pesados entre Oleg Maskaev e Hasim Rahman foi vista por 60 mil pessoas via pay-per-view nos EUA. No mesmo mês, a luta entre o brasileiro Renato Sobral e o americano Chuck Liddell pelo título dos meio pesados do UFC foi vista por 500 mil pessoas, no mesmo sistema de ppv.

A inevitável comparação entre boxe e MMA lembra muito um outro caso de disputa por espaço e público entre esportes nos EUA. Um dia dono absoluto da preferência popular nos EUA, o beisebol parou no tempo e não se preocupou em criar novos atrativos para o fãs. Correndo por fora, um esporte marginal chamado futebol americano ganhava público devido ao dinamismo, ação e emoção em campo. E foi quando as duas maiores ligas de futebol americano se fundiram em uma, que o esporte explodiu e hoje domina sem adversários a preferencia da população. Principalmente a população jovem, enquanto os fãs do beisebol são geralmente gente mais velha.

Será apenas mera coincidência as semelhanças entre as fusões e o perfil dos esportes e dos fãs?

O vale tudo é jovem, é imprevisível, é rápido, é inteligente e, acima de tudo, é real! Muito diferente das marmeladas e lutas encomendadas que enjoram tantas vezes os fãs de luta.

E o vale tudo é global, com atletas de elite vindos dos quatro cantos do planeta. A união entre UFC e Pride pode ser a grande oportunidade que o esporte estava esperando para começar a ter um legítimo ranking mundial e unificações de cinturões, consolidando de vez seus lutadores como ídolos internacionais.

Mayweather pode até ter razão quando diz que um boxeador nocautearia um lutador de MMA em poucos segundos. O problema é que o boxeador provalvemente não teria esses poucos segundos. Quando menos percebesse, estaria desacordado no chão após receber um mata leão ou 5 ou 6 cotoveladas de cima para baixo.

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O carioca Gabriel "Napão" comemora após nocautear o croata Mirko Cro Cop, no último sábado na Inglaterra, pelo UFC 70

O que mais me deixa revoltado com esse tipo de declaração vinda do boxe é que os fãs de MMA sempre respeitaram e gostaram de boxe. Nunca faltaríamos com o respeito à lendas como Sugar Ray, Ali, Marciano, Foreman ou Eder Jofre. Mas temos consciencia que eles são o passado. Nós simplesmente não ligamos mais para boxe.

Nós sabemos muito bem o que queremos e não estamos interessados em palhaços marketeiros e corruptos como Don King nos dizendo que Floyd Mayweather Jr. contra Oscar de la Hoya é a "luta do século".

Desculpe informá-lo, sr. King, que o presente e o futuro não estão nas mãos de Mayweather ou Klitschko, mas de atletas como Fedor, Cro Cop e Nogueira.

Que o MMA chegou, entrou sem bater e veio pra ficar!

Terça-feira, 24 de Abril de 2007

Um novo 49ers se prepara para o recrutamento da NFL

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O técnico Mike Nolan se prepara para o seu terceiro draft

Quem acompanha esse blog sabe que sou apaixonado por futebol americano e que de vez em quando eu dedico um post ou outro pra falar sobre o assunto. E nos últimos 3 anos eu tenho falado muito sobre o trabalho que um sujeito chamado Mike Nolan vem realizando como treinador de um tal San Francisco 49ers.

Nesse post eu vou falar grego pra 95% de vocês e analisar como eu vejo o 49ers no recrutamento anual da NFL, tentando passar os mais prováveis cenários que o time pode encarar no próximo sábado. Mas antes vale um pequeno resumo do que vem acontecendo com o San Francisco desde que Mike Nolan tomou as rédeas. O que é importante, principalmente se vc não acompanhou meus diversos textos anteriores sobre ele e a equipe.

Desde que Mike Nolan e sua equipe assumiram o comando do 49ers, o time que vinha mal das pernas está aos poucos se acertando. Dono de uma enorme tradição vencedora nos anos 80 e 90, o 49ers perdeu o rumo desde que o seu ex-dono teve que abrir mão do time no ano 2000, quando se viu envolvido em um processo de corrupção no governo do estado de Louisiana.

O 49ers caiu no colo do seu cunhado pão duro que contratou mal tanto a equipe administrativa quanto técnica. O resultado foi catastrófico, dentro e fora de campo. De 2000 a 2004 o 49ers virou a piada da NFL, o que levou à uma reformulação geral na área administrativa e técnica em 2005.

Para o cargo de treinador, veio Mike Nolan, filho de um histórico ex-treinador do 49ers nos anos 60 e 70. Mike veio do Baltimore Ravens onde, como coordenador de defesa, criou e desenvolveu uma das mais criativas e agressivas unidades defensivas dos últimos anos. Do pai ele herdou a personalidade forte e pulso firme, deixando claro que vinha para mudar as coisas logo no começo, dispensando diversos veteranos que não correspondiam em campo o alto salário que recebiam.

Chegou tbm Scot McCloughan para assumir as responsabilidades de recrutamento e avaliação dos jogadores, além de Lal Heneghan para administrar a franquia.

Além de se livrar dos veteranos, Nolan encontrou outro enorme problema ao assumir o time. As administrações anteriores tiveram péssimos recrutamentos e apostaram num perfil de jogador totalmente diferente do que Nolan acredita que é o ideal. O novo treinador prefere apostar na força para suas linhas de ataque e defesa, com jogadores grandes e pesados, mas o 49ers estava cheio de jogadores leves e rápidos, trazidos pela péssima equipe anterior.

Resumindo, o treinador teve que começar do zero.

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Nolan, comandando o time de terno, em homenagem ao pai.

Ao lado de McCloughan, Nolan assumiu o 49ers para o recrutamento de 2005 como o pior time da NFL. Com necessidades em praticamente todas as posições, Nolan e McCloughan adotaram a acertada filosofia de escolher sempre o melhor jogador disponível independente da posição. Assim, do draft, vieram mais jogadores para o ataque do que para a defesa, com o resultado aparecendo já no segundo ano de comando através do jovem quarterback Alex Smith apresentando grande evolução e o running back Frank Gore explodindo como um dos melhores da liga. Além deles, outros frutos do draft como o tight end Vernon Davis e o bloqueador Adam Snyder também mostraram grande potencial.

E com o ataque no caminho certo, chegou a hora de reforçar a defesa. O trabalho fantástico de Nolan inclusive abriu os olhos (e a carteira) do até então muquirana dono do time, que resolveu finalmente gastar dinheiro na contratação do cornerback Nate Clements, um dos melhores da liga, além de 3 outros reforços para a defesa.

Com o draft marcado para o próximo sábado, Mike Nolan promete que vai continuar focado na mesma filosofia de recrutar o melhor jogador disponível ou então tirar da escolha o melhor valor possível. Numa coletiva de imprensa ontem, a dupla Nolan/McCloughan deixou claro que existem 20 jogadores que eles classificam de elite no draft desse ano e que mereceriam serem escolhidos na primeira rodada. Isso pode ser um indício de que o 49ers esteja repetindo a estratégia do ano passado e tentar conseguir negociar uma escolha a mais no primeiro round, para tentar conseguir pelo menos dois desses 20 prospectos.

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O defensive end Jamaal Anderson (n°92) é um dos melhores jogadores que poderiam estar disponíveis para o 49ers na 11ª posição do draft.

Ano passado o 49ers avaliava 17 jogadores de elite e, ao negociar com o Broncos uma escolha extra na 1ª rodada, pegou o defensor Manny Lawson, um dos que estavam nessa lista de 17. Esse ano pode ser que o 49ers tente também essa manobra focando num dos wide receivers que poderiam estar disponíveis na segunda metade do draft, mas que não merecem serem pêgos num ponto tão alto quanto o 11° que hoje o San Francisco tem. Ted Ginn Jr (Universidade de Ohio State), Robert Meachem (Tennessee), Dwayne Bowe (LSU) e Dwayne Jarrett (USC) são alguns dos receivers que podem estar disponíveis na segunda metade do draft e que poderiam ser o alvo do 49ers, caso o time realmente consiga uma boa troca. Outra opção com essa segunda escolha seria um safety como Reggie Nelson (Florida).

Numa previsão realista, alí na 11ª escolha Nolan e McCloughan ficarão mais do que satisfeitos em escolher o tackle Levi Brown (Penn State), o defensive end Jamaal Anderson (Arkansas), o safety LaRon Landry (LSU), o inside linebacker Patrick Willis (Mississipi), o defensive end Adam Carriker (Nebraska) ou o defensive tackle Alan Branch. Landry e Anderson dificilmente estarão disponíveis nesse ponto, assim como Brown tbm tem potencial para sair antes. Assim o cenário mais provavel para a 11ª posição é mesmo a escolha entre Willis, Carriker e Branch.

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Patrick Willis pode ser o escolhido na primeira rodada.

De qualquer forma, o 49ers hoje poderá escolher 4 jogadores entre os 100 primeiros disponíveis no draft desse ano. São 1 escolha no primeiro e outra no segundo round e duas no terceiro. Além disso, o time conta com mais 4 escolhas no quarto round. E tantas escolhas abrem enormes oportunidades para reforçar ainda mais esse time com juventude e talento. E o fato de que as duas posições do draft mais carregadas de bons jogadores são duas das posições que o 49ers mais necessita de ajuda (wide receivers e defensive end), otimismo é o que não falta em torno do time de San Francisco.

Pensando a partir da 3ª rodada, um running back tambén seria muito bem vindo para ajudar a tirar um pouco do trabalho pesado de Frank Gore. Caras como Michael Bush (Lousiville), Lorenzo Booker (Florida State), Kenneth Darby (Alabama), Darius Walker (Notre Dame) e Tony Hunt (Penn State) seriam ótimos reforços se disponíveis na 3ª ou 4ª rodada. Meu sonho seria Michael Bush, um jogador com história muito parecida a de Frank Gore. Dono de um talento enorme, Bush deve cair para o 3° ou 4° round devido à uma séria fratura na perna direita.

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Michael Bush poderia turbinar ainda mais o jogo corrido em San Francisco

Apesar de haver sido um dos pontos mais fortes do time na temporada passada, a linha de ataque tbm precisa de reforços. Isso pq o bloqueador Larry Allen é um veterano de 35 anos e tem problemas sérios de contusão. Além da inconstância do bloqueador da ponta direita da barreira, Kwame Harris, e do tamanho do outro bloqueador da direita, o guard Justin Smiley, que é pequeno para os padroes de Mike Nolan. Isso pode levar o 49ers a apostar em Levi Brown na primeira rodada, se ele estiver disponível, ou entao em um dos guards de elite desse ano e que podem estar disponíveis na segunda rodada, Justin Blalock (Texas) ou Ben Grubbs (Auburn), ou até mesmo do tackle Tony Ugoh (Arkansas) ou do center Ryan Kalil (USC).

Outra possibilidade para a segunda rodada é defensive end, a posição mais forte do draft desse ano. Craques como Charles Johnson (Georgia), Jarvis Moss (Florida), Anthony Spencer (Purdue), LaMarr Woodley (Michigan) e Tim Crowder (Texas) podem estar lá na segunda rodada. E caras como Turk McBride (Tennessee), Jay Moore (Nebraska), Ikaika Alama-Francis (Hawaii) e até mesmo Quentin Moses (Georgia) poderiam cair de bandeja na 4ª. Como o 49ers está em transição para um novo sistema na defesa, que é formado de 3 jogadores grandes de linha e 4 linebackers (3-4), jogadores como Moss e Woodley se encaixariam como uma luva no lado oposto à Manny Lawson como outside linebackers. E, convenhamos, no 3-4, linebackers nunca são demais.

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Se disponível na segunda rodada, o bloqueador Justin Blalock traria força e juventude para linha de ataque

As possibilidades são inúmeras e os prospectos disponíveis são basicamente estes. Qualquer dúvida ou comentário sobre o 49ers ou NFL, é só me mandar um email que a gente troca uma idéia. Se der tempo, até o fim da semana eu faço um textinho geral sobre o draft desse ano.

Domingo, 11 de Março de 2007

Artigo interessante sobre antiamericanismo tupiniquim que saiu no Estadão de hoje.

'Fora daqui, fora Bush do Iraque'

Nossos movimentos religiosos sempre invocaram com os EUA. Falta um tom civilizado a essa relação

*José de Souza Martins

As manifestações de desagrado pela visita de George W. Bush ao Brasil repetem o padrão conhecido. O antiamericanismo brasileiro parece esgotar-se no episódico dessas expressões de descontentamento político que resumem e polarizam complicados processos de proximidade e distância em relação aos Estados Unidos da América. No entanto, ele persiste, ocultamente regulado por fatores históricos que dizem respeito tanto à nossa identidade nacional quanto às necessidades sociais, econômicas e políticas relativas ao nosso destino como nação.

Nosso antiamericanismo nasceu com a proclamação da República e teve como seu mais lúcido e consistente ideólogo o escritor Eduardo da Silva Prado. Seu mal- estar e sua interpretação da República recém-proclamada, como cópia sem imaginação dos símbolos e das instituições americanas, estão no livro A Ilusão Americana. Escrito no final de 1893, durante a fuga do autor, perseguido político da ditadura que deu berço à República, reflete sem dúvida o momento de incerteza política, mas reflete, também, as nossas duradouras determinações históricas.

Na palavra de Eduardo Prado, reagia o nosso catolicismo monárquico ao republicanismo protestante que se queria importar. A separação do Estado em relação à Igreja, efetivada pela República, era boa indicação do afastamento em relação às tradições de nossa identidade. Não é nada estranho, portanto, que nos seus cometimentos em favor da justiça social a Igreja Católica reconheça, no Brasil, como simbolização do mal a dominação do império, forma católica de referência ao que Lênin e os comunistas rotularam de imperialismo. A sociedade americana e o modelo de economia em que se baseia são expressões da ética protestante. Nesses dias de protesto contra a visita do presidente americano, os vários movimentos e organizações originados da Igreja Católica e a ela ligados, como a Pastoral da Terra e o MST, deram o tom nas objeções àquilo que Bush e os Estados Unidos para eles representam, o grande capital, a economia de mercado, o neoliberalismo econômico, o mal, enfim, cujas vítimas remotas podem ser vistas em muitos cantos do mundo.

O “gancho” do protesto foi um dos itens da agenda de encontro entre Bush e Lula, o das restrições à importação do etanol brasileiro pelo mercado americano. O etanol pode abrir grandes horizontes para a economia brasileira. Mas a opção pela produção do combustível verde sofre completa restrição dessas organizações político-religiosas. Tem motivo os que centram nesse tema o seu protesto político à visita de Bush e aos esforços de Lula para obter condições favoráveis ao comércio desse combustível. Trata-se de um produto que prenuncia um agravamento das condições das populações desvalidas do campo, sobretudo aquelas que serão atingidas pela redefinição das funções econômicas da terra em favor dos grandes empreendimentos agrícolas destinados à produção da matéria-prima do combustível.

Os trabalhadores já conhecem essa história. Quando surgiu o Pró-Álcool, em 1975, e começou a produção do carro a álcool, a partir de 1978, grandes extensões de terra foram convertidas em canaviais em detrimento da agricultura de subsistência e de alimentos, o preço dos gêneros alimentícios foi afetado, as relações de trabalho no campo deram um mergulho definitivo na ocupação temporária e precária, favelas e bairros pobres surgiram na periferia de outrora idílicas cidades interioranas. A degradação das condições de vida dessas populações tornou-se visível com a chamada “revolta de Guariba”, em 1984. Foi quando os trabalhadores canavieiros desse município paulista se insurgiram contra o aumento do número de ruas de cana que o trabalhador estava obrigado a colher num dia de trabalho. Os pais tiveram que levar suas crianças para o canavial para completar a medida exigida de cana cortada.

É curioso que o MST e a Pastoral da Terra, de diálogo atravessado com o que é, sobretudo, o seu governo, não tenham convencido Lula a aceitar a possibilidade de fazer da economia do etanol um dos ingredientes de expansão e consolidação da reforma agrária, em vez de oporem-se a esse projeto de interesse nacional. Em nenhum momento pensaram no agronegócio familiar e agrorreformista como um meio de legitimar a reforma e promover o que poderia ser, também, um significativo programa de redistribuição de renda. Como se vê no documento da Campanha da Fraternidade de 2007, da CNBB, o mercado, o negócio e o dinheiro são claramente estigmatizados como responsáveis pela pobreza e a marginalização de populações amazônicas, e não só delas. Esquecem os seus autores da multiplicidade de funções do dinheiro e a diversidade social do mercado, como esquecem que, sem mercado para os produtos agrícolas, a reforma agrária não tem o menor sentido. Estranha contradição: o lançamento do documento foi feito, conforme denunciou a Conferência dos Religiosos do Brasil, em evento patrocinado pela Companhia Vale do Rio Doce, uma das expoentes do capitalismo globalizado e neoliberal. O antiamericanismo do protesto contra Bush fica comprometido por essas extravagâncias. O que é pena, já que em si mesmo o protesto contém um alerta que o governo deveria levar a sério, pois expressa um projeto social legítimo em favor da agricultura familiar.

Não só o nosso governo. Talvez esteja na hora de o governo americano, finalmente, ouvir as palavras do falecido Roberto Simonsen, industrial e fundador da Federação das Indústrias de São Paulo, que, em 1947, propôs que os Estados Unidos incluíssem o Brasil no Plano Marshall. Poderíamos ter tido aqui um desenvolvimento econômico como o que o Plano desencadeou em países derrotados e devastados pela guerra, como a Alemanha e a Itália. Nossa inclusão no plano teria dado outro rumo à nossa história e às nossas relações com os Estados Unidos. Resta saber se ainda há tempo de dar às relações entre os dois países o sentido civilizado e socialmente justo que o antiamericanismo caipira preconiza.

*José de Souza Martins é professor titular de Sociologia da Faculdade de Filosofia da USP

Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Mika: um fenômeno libanês conquista a Inglaterra

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Scissor Sisters ensinou a receita e a onda pop/80's/glam tomou conta das rádios e conquistou o ouvido da molecada inglesa do sec XXI. O que é mais do que compreensível, já que a música pop dos últimos anos vinha dominada pela caretice e mediocridade de músicos de caraoquê pré-fabricados. Com a carência de novas tendências, nada melhor do que redescobrir as raízes da Disco Music, New Wave e do pop/rock dançante, glamuroso e com uma pitada de sensualidade debochada entre Elton John, George Michael, Bowie, Queen, Chic, Duran Duran, Bee Gees, KC & the Sunshine Band, Depeche Mode e Blondie.

E com as portas abertas pelos colegas americanos do Sisters, agora quem chega com toda a pinta de que vai um dos grandes êxitos de 2007 é um libanês de 23 anos, que deixou Beirute com a família em meados dos 80, com a guerra civil.

Mica Penniman, mais conhecido apenas como "Mika", está em primeiro lugar nas paradas britânicas com o single "Grace Kelly", uma balada de pop clássico que mistura falsetes, batidas dançantes e guitarras elétricas.

Mika vou vítima de uma infância complicada, nao só pelos típicos problemas de adaptaçao que crianças sofrem ao serem obrigadas a viver em diferentes lugares, mas também pelos problemas familiares e com os colegas de colégio que o acossavam pelo jeito afeminado. Tudo isso agravado pela dislexia, o que levou a mae a tirá-lo do colégio com 11 anos. E nos 7 meses que levaram para encontrar outra escola, sua mae contratou um professor de canto russo para que o garoto tivesse uma atividade em casa. E foi aí que Mika descobriu esse 5/8 de dar inveja a Ney Matogrosso que viria a ser sua marca fundamental na carreira 10 anos depois.

O menino soprano foi parar no coral da Royal Opera House e descobriu sua faceta cênica, o que facilitou sua integraçao ao novo colégio, onde fez parte de obras de teatro e musicais. Nesse período começou já a escrever cançoes e impressionava os professores e familiares pela enorme confiança em sua voz, na capacidade de representar e de tocar o piano clássico. E a confiança e virtuosismo sao uma marca até hoje de um intérprete que ignorou um mundo exterior que só lhe deu rejeiçao e preconceito. Mika triunfa hoje com o disco "Life in Cartoon Motion", onde joga no liquidificador suas angústias, medos e lembranças nas letras as vezes obscuras, trágicas, tristes e confusas, outras debochadas e sarcásticas, que contrastam com a sensualidade da voz e ritmo dançante e levadas glamurosas e exageradas.

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Assim como recomedei Scissor Sisters antes de estourar, há uns anos atrás, hj recomendo meu conterrâneo Mika. Pop de qualidade, sim senhor!

Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007

Atendendo aos pedidos, volto à escrever essa semana... Deixei de escrever pq é tanta desgraça acontecendo no mundo que nao tinha nenhum estímulo de bloguear.

Por isso mesmo vou fugir das coisas sérias e falar sobre algo totalmente sem importancia, a volta de Rocky Balboa!

Sim... Eu esperei ancioso pelo novo Rocky! E por mais ridículo e absurdo que possa parecer, sei que nao fui o único!

Praticamente todo que conheço e que cresceu na década de 80 guarda boas recordaçoes de Silvester Stallone. Seja por Rocky ou Rambo, todo mundo que era moleque nessa época vai se lembrar pra sempre do nosso amigo Balboa subindo as escadas com aquela trilha sonora maravilhosa, ou compatilhou com o colega John Rambo a dor pela morte do seu ex-companheiro de guerra e a raiva por aquele xerife babaca estrelado por Brian Dennehy.

Eu levo esses filmes tao a sério que tenho certeza absoluta que foi Rocky Balboa e nao Mikhail Gorbachev que deu um fim à Guerra Fria, ao nocautear Ivan Drago, conquistar a torcida soviética e dizer a clássica "Se eu posso mudar... se vocês podem mudar... então... TODO MUNDO PODE MUDAR!" no fim da luta!

Outra coisa importante sobre Rocky: Rocky V nunca existiu! NUNCA! A série acabou em Rocky IV. Nao adianta tentar me convencer... Rocky V nunca existiu!

Entao... já dá pra imaginar o que senti quando fui ver hoje o inexplicavelmente explicável sexto (ou melhor, quinto) filme da série?

Sinceramente, nunca vivi uma experiência cinematográfica tao dolorosa como a de hoje.

Os mais patéticos 102 minutos da minha vida numa sala de cinema.

Apesar de que as cenas de luta sao as melhores de todos os tempos, o Rocky sessentao é um amontoado de cenas, diálogos e dramas roubados dos outros 5 (ops, 4) filmes sem nenhum sentido. As coisas simplesmente vao acontecendo, a bola de neve vai crescendo e, quando vc acha que nao poderia ser pior, Stallone consegue surpreender e piorar mais ainda!!!

Me senti péssimo por Silvester Stallone... de verdade. Me senti mal ao vê-lo se submeter a tamanha humilhaçao, num filme que é clara e descaradamente uma tentativa desesperada de se sentir relevante.

Apesar de que Rocky Balboa é de longe o pior e mais lamentável e vergonhoso filme de esportes da história do cinema, todos os fãs de Rocky Balboa estao obrigados a vê-lo.E como eu fui, todos irao.Eu tenho amigos que idolatram tanto os primeiros 4 filmes que iriam ver o 6º mesmo que eu dissesse "Voces ficarao tao deprimidos que ao sair do cinema pensarao seriamente em meter o carro pela contramao durante todo o caminho de casa".

Eles, como eu, estao dispostos a correr esse risco. E aí encontramos a inexplicável explicaçao para que esse filme fosse feito. Sly apostou nessas duas geraçoes de machos enfraquecidos pela idolatria à série e que precisavam ver Rocky de volta aos ringues (mais uma vez!).

E, convenhamos, como poderia ser pior do que Rocky V?!

Até o próprio Sly tenta negar a existência de Rocky V, se recusando a usar o "VI" no título do novo filme e fingindo que tudo foi deixado naquela noite de 1985 na URSS.

Apesar do filme ser uma catástrofe, algumas dessas cenas "roubadas" dos filmes anteriores fazem de pelo menos uns 20 minutos do novo Rocky funcionar pela nostalgia. "Ah, isso era do Rocky II"; "Uau! Eu lembro disso do Rocky IV". Provocam um arrepio ou outro e um sorriso saudoso...

Mas mesmo assim nao dá pra recomendar Rocky Balboa. Por vários motivos.

Stallone está parecendo um boneco de cera. Ele injetou tanto Botox na cara que parece que está vestindo uma máscara de halloween dele mesmo na época de Cop Land. A experiência de ver as cenas de luta com Sly dessa forma é algo totalmente angustiante, já que a sensaçao que se tem é que, com o primeiro murro, a cara dele vai se desfazer! É horrível!

O cunhado do Rocky, Paulie, está no filme. Nao sei se por milagre ou por efeito de computaçao, mas a verdade é que, se ele está vivo, têm aí entre 95 e 135 anos. E por mais que suas cenas sejam muito engraçadas, é duro de acreditar que Rocky ainda pode subir ao rinque quando o seu melhor amigo está como se para internar no Retiro dos Artistas, de frauda e com uma enfermeira ao lado.

Eu odeio ter que dizer isso, mas Rocky Balboa nada mais é que um grande pedido de ajuda.

A impressao que se tem é que Sly usa o tempo todo a história de Rocky, um boxeador esquecido, envelhecido e marginalizado, como um paralelo perturbador da sua própria vida como ator e celebridade.

Em momentos do filme em que Rocky solta frases como "Num segundo eles te amam... no próximo segundo te esquecem", vc se sente como que vendo um documentário, em que é Sly e nao Rocky falando para a câmera da sua própria vida.

Na cena em que Rocky explica para Paulie porque ele precisa de uma luta mais - pq ele sente falta dos holofotes, pq ele quer mais uma chance de terminar as coisas de maneira correta - poderia ser muito bem o próprio Stallone sentado na sala com Burt Reynolds ou Christopher Lambert, explicando pq ele precisava fazer esse filme.

A cena final, com o último aplauso à Rocky/Sly, dá a entender inclusive que esse paralelo entre ficçao e vida real pode ter sido intencional, com a inconfundível trilha sonora e o público dando adeus à um personagem e uma série que deveria ter acabado há 20 anos atrás.

Ao sair do cinema deprimido, vagando perdido pelas ruas do centro de Madri, eu me vi lamentando o caminho tomado por Stallone, desejando que ele tivesse tomado outra direçao. Talvez que tivesse pegado um aviao para o Afeganistao para lutar contra o novo campeao mundial, um imbatível militante do Al Qaeda de 2m de altura e 200kg, que só aceitava lutar pelo título numa caverna remota na fronteira com o Paquistao.

Rocky venceria, conquistaria a torcida do Al Qaeda e daria o discurso "Se eu posso mudar... se vocês podem mudar... então... TODO MUNDO PODE MUDAR!" no fim da luta. Afinal de contas, se ele acabou sozinho com a Guerra Fria, pq nao poderia acabar agora tbm com o terrorismo?

Puts... nao... eu acabei de dar uma idéia para Stallone fazer o Rocky VII... alguém, por favor, me mate!

Quinta-feira, 23 de Novembro de 2006

Assassinato transforma Beirute em cidade fantasma

Fernando Kallás
De Beirute - BBC Brasil


O assassinato do ministro da Indústria do Líbano, Pierre Gemayel, transformou Beirute, que até a manhã desta terça-feira se preparava para as comemorações do dia da independência libanesa, em uma cidade fantasma.

Ao invés do clima festivo, a capital do Líbano foi tomada pela revolta, pela tensão e pelo medo e passou o dia com as ruas desertas e o comércio fechado.

Gemayel foi morto vítima de uma emboscada no bairro de Gedeide, região norte de Beirute. Um atirador não identificado atingiu seu carro com vários tiros e fugiu do local sem deixar rastro. Momentos depois da morte de Gemayel, outro ministro libanês teria também sido vítima de uma tentativa de assassinato.

Segundo fontes do governo, o escritório do ministro de Relações Parlamentares, Michel Faraoun, foi atacado a tiros de metralhadora por um carro em movimento, que também fugiu sem ser identificado.

Simpatizantes da Falange Libanesa, partido do qual Gemayel era um dos líderes, saíram às ruas do centro da cidade e fecharam uma das principais avenidas da capital com objetos em chamas. Sobrecarregada, a rede telefônica ficou inoperante durante quase uma hora, aumentando ainda mais a angústia daqueles que buscavam saber se parentes e amigos estavam bem.

Os traumas deixados pelos bombardeios israelenses e o medo de novos conflitos com a sempre instável divisão religiosa e política do Líbano só fizeram aumentar o choque e a intensidade da reação à morte do ministro.

Tradição política

Líder influente em grande parte da comunidade cristã libanesa e herdeiro de uma família de forte tradição política no país, Pierre não foi o primeiro Gemayel a ser assassinado. Seu tio, Bashir Gemayel, foi morto dias depois de assumir a Presidência, em 1982, durante a Guerra Civil que durou cerca de 15 anos. Com a morte de Bashir, o pai de Pierre, Amin Gemayel, assumiu a Presidência e governou até 1988.

Pierre Gemayel apoiava o governo do primeiro-ministro Fouad Siniora, era grande opositor do governo sírio e militava pela implementação de um tribunal internacional para investigar a morte do ex-primeiro-ministro Rafiq Hariri.

O filho de Hariri, Saad Hariri, foi um dos primeiros a se pronunciarem sobre a morte de Gemayel.

"Hoje um dos grandes militantes por um Líbano livre e democrático foi assassinado. E tudo nos leva a crer que a Síria está por trás de tudo isso", disse Saad Hariri, membro do Parlamento libanês.

"O povo libanês não vai desistir na luta pelo tribunal internacional. Pelo contrário, vamos levar a justiça aos que mataram Pierre Gemayel."

Oposição

Com a morte de Gemayel, a tensão entre governo e oposição aumenta ainda mais, já que a situação no país era muito delicada desde a semana passada, quando seis ministros oposicionistas renunciaram em protesto contra o governo.

A oposição, formada pelos partidos xiitas Amal e Hezbollah e pelo Partido Laranja, movimento cristão liderado pelo ex-presidente e general Michel Aoun, pedem a renúncia de Siniora e a formação de um novo governo.

Os oposicionistas argumentam que o governo tem de ser representativo de todos os partidos libaneses. Os protestos vêm do fato de que o atual governo se recusa a dar à oposição os ministérios que seriam equivalentes à sua participação parlamentar, de 44%.

A situação agora na capital libanesa é de enorme apreensão. A segurança foi redobrada e o Exército toma conta das ruas. Ainda não se sabe se as festividades do dia da independência vão acontecer normalmente nesta quarta-feira. Mas a noite de terça-feira prometia ser longa para aqueles que esperavam o próximo capítulo de uma série de conflitos que parece não ter fim.